Sem alarde, PMDB paulistano convoca convenção para garantir apoio interno a Chalita

Partido suspende agenda do pré-candidato e esconde encontro municipal que deve isolar membros ligados ao governo Kassab

Felipe Frazão,

21 de abril de 2012 | 16h50

Para assegurar a pré-candidatura do deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, o PMDB paulistano convocou uma convenção municipal para esse domingo. A intenção é eleger um novo diretório na capital paulista, formado por 45 membros ligados a Chalita - que preside o partido provisoriamente. Todos terão direito a voto posterior na próxima convenção do partido, quando estará em jogo a homologação da candidatura de Chalita a prefeito.

Peemedebistas vinculados ao deputado querem evitar qualquer racha interno, sobretudo com as alas históricas que apoiavam o ex-governador Orestes Quércia. Parte deles integra a administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD) - a quem Chalita destila críticas - e por isso deve ser excluída da direção do PMDB.

No encontro, os 116 delegados de diretórios zonais do PMDB na capital paulista elegerão os 45 membros e 15 suplentes do diretório municipal. Além disso, serão eleitos 5 titulares e 5 suplentes da Comissões de Ética e Disciplina e mais 30 delegados e 30 suplentes à convenção estadual. O diretório municipal deve nomear depois a comissão executiva com Chalita na presidência. Serão eleitos 11 nomes para a executiva, que atualmente tem apenas cinco por ser provisória.

Os 45 membros do diretório municipal, somados aos 116 delegados, têm direito a voto na convenção de junho, quando o partido homologa seu candidato a prefeito e a chapa de vereadores. Para evitar surpresas na convenção de junho, quer garantir a eleição de membros pró-chalita. Também votam na próxima convenção de homologação das candidaturas os deputados membros do diretório estadual com domicílio eleitoral em São Paulo.

Críticas. Peemedebistas quercistas que estão na gestão Kassab se dizem alijados do processo eleitoral. "Isso é golpe. Fomos alijados do processo porque estamos no governo Kassab. Estamos respeitando a última convenção que decidiu apoiar o Kassab e a Alda Marco Antonio (vice-prefeita, que saiu do PMDB para o PSD por atrito com Chalita) na eleição de 2008. Só termina essa aliança quando tiver outra convenção para escolher o próximo candidato", disse um membro do partido que pediu para não ser identificado. "Não nos chamaram para participar, nem deixaram nenhum nome nosso na chapa. Estão com medo que possamos votar contra a candidatura do Chalita na próxima convenção."

Recado. Pelo microblog Twitter, o secretário-geral do PMDB paulistano, Arlon Viana Lima, manifestou a exclusão dos peemedebistas na gestão Kassab: "Os que no PMDB questionam o projeto de Temer e Chalita estão fora da direção do partido por decisão unânime da cúpula". Arlon é notório aliado de Michel Temer, padrinho e articulador da candidatura de Gabriel Chalita.

Desafeto de Chalita, o secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação, Bebetto Haddad, disse que seu nome deve ser um dos únicos na chapa. O motivo é que Bebetto era presidente municipal do PMDB. Ele dissolveu o antigo diretório, com renúncia coletiva em prol de Chalita, a pedido do vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer.

"Estou sabendo da convenção por alto. Mas não vejo necessidade de fazer", disse Bebetto. "Não vamos fazer nada contra o Chalita. Os delegados próximos a mim estão liberados para votar no candidato indicado pelo Michel (Temer), ou no que o partido indicar. A questão partidária é inquestionável, Michel é meu líder."

Bebetto prefere, porém, ficar fora da campanha de Chalita e continuar no governo Kassab até o fim do mandato: "Vou acompanhar a campanha quietinho no meu canto. Não quero atrapalhar nem impedir a candidatura de ninguém". Chalita já afirmou que não convidou e nem convidará os secretários que o PMDB indicou ao governo Kassab (Bebetto Haddad e Uebe Rezeck, de Participação e Parceria) para compor a equipe de campanha.

Escondida. Pouca gente sabe da reunião municipal. A convenção não foi divulgada nem sequer no site oficial do PMDB paulistano (www.pmdbcidadesp.org.br). Membros do partido procurados pela reportagem nesta sexta-feira disseram que não estavam sabendo da convenção.

A assessoria de imprensa da sigla disse que não havia nenhuma convenção ou evento partidário programado para este domingo. Apesar disso, o PMDB publicou um edital de convocação da convenção no Diário Oficial Empresarial no dia 13 de abril. O documento é assinado por Chalita, na condição de presidente provisório. Presidentes de diretórios zonais não foram comunicados. E delegados receberam o aviso somente por telefone.

Durante a semana, Chalita chegou a cancelar parte da pré-campanha. A assessoria de imprensa do PMDB municipal afirmou que a agenda de Chalita havia sido suspensa neste sábado e domingo. Ele não participará de agenda pública como vinha fazendo em encontros com líderes comunitários da série "PMDB ouve os bairros".

A reunião partidária já recebeu a pecha de "convenção relâmpago", porque terá apenas duas horas de duração - entre as 10 horas e o meio dia.

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