Sem acordo sobre Código Florestal

Acabou sem acordo a reunião de hoje entre a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e entidades ambientalistas, entre as quais o Greenpeace e o Instituto Sócio-Ambiental (ISA), para discutir mudanças no Código Florestal. Um novo encontro ficou acertado para dia 25, cinco dias antes da data prevista para a votação do projeto de conversão feito pelo deputado Moacir Micheletto (PMBD-PR) alterando o código.Os ambientalistas pediram apoio da CNA para convencer o presidente da comissão especial que discute o código, senador Jonas Pinheiro (PFL-MT), a adiar por mais tempo a votação do parecer de Micheletto.O impasse ocorreu porque a CNA propôs a preservação de 80% da floresta na Amazônia Legal e 35% do cerrado da região, mas exigiu a redução para 50% do tamanho da área de reserva legal das pequenas propriedades."Nessas condições é impossível negociar", disse Flávio Montiel, assessor político do Greenpeace. Mesmo assim, ele explica que entidades ambientalistas integrantes da campanha SOS Florestas vão analisar as sugestões do coordenador da Comissão de Meio Ambiente da CNA, Assuero Veronês.Segundo a proposta da CNA, a redução da reserva legal dos atuais 80% para 50% nas pequenas propriedades da Amazônia não aumentaria o desmatamento na região. É que, segundo Veronês, essas áreas representam apenas 24,6% dos 501,3 milhões de hectares da Amazônia. A CNA também sustenta que hoje a Amazônia tem 74,4% de suas florestas legalmente protegidas.Veronês afirma que somente 15% da região estão desmatados. Segundo o Greenpeace, a área desmatada corresponde a uma área maior do que todo o território da França.Greenpeace não aceitaEm nota distribuída à imprensa, o assessor do Greenpeace afirma que a entidade não aceita a redução da reserva legal para 50%. "A única possibilidade que existe de discussão com a CNA ou o governo é em cima do aprimoramento do texto aprovado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Comana), isto é, da Medida Provisória 2080/62." Montiel afirma, também, que a ditas áreas "protegidas" que a CNA afirma existirem na Amazônia seriam protegidas apenas na ficção. "No mundo real terras indígenas são constantemente invadidas por madeireiros e garimpeiros, e parques nacionais e reservas não passam de decretos bem intencionados." No Amazonas segundo Montiel, das 45 unidades de conservação criadas, 38 delas não foram instaladas.O Greenpeace garante não ser verdadeiro o argumento da CNA de que 74% das florestas da Amazônia estão legalmente protegidas. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) mostram que as áreas protegidas ocupam apenas 29 23% da região amazônica.

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