Sem acordo, Garibaldi dá sinal verde a CPI no Senado

Presidente da Casa diz que lerá pedido de criação da comissão hoje; depois, senadores devem indicar membros

CIDA FONTES, Agencia Estado

08 de abril de 2008 | 16h02

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reafirmou aos líderes partidários nesta terça-feira, 8, que lerá no Senado nesta tarde o requerimento de criação de uma CPI exclusiva do Senado para apurar irregularidades no uso de cartões corporativos do governo. A reafirmação do compromisso por Garibaldi foi informada por participantes do almoço. A CPI irá funcionar paralelamente à comissão mista já instalada com membros do Senado e Câmara para apurar o mesmo assunto. A nova CPI, segundo parlamentares, terá por objetivo ainda apurar o vazamento de um dossiê que teria sido montado na Casa Civil sobre as despesas feitas no governo Fernando Henrique Cardoso.     Veja Também:   Base fará de tudo para impedir CPI no Senado, diz Fontana PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos    A oposição é a responsável pela criação de uma CPI exclusiva no Senado. PSDB e DEM argumentam que, na CPI mista dos Cartões, atualmente em funcionamento, os governistas, que são maioria, impedem as investigações derrubando os requerimentos de convocação de autoridades. A leitura não significa, contudo, a instalação da CPI. Só depois de feita a leitura do requerimento, os líderes partidários têm cinco dias para indicar seus representantes na comissão. Se a base aliada não escolher seus nomes, o senador Garibaldi Alves tem a prerrogativa de fazer as indicações. Após a composição, a CPI é instalada, e são escolhidos o presidente e o relator.   Enquanto na Câmara a base do governo tem quase 380 dos 513 deputados (74%), no Senado o equilíbrio é maior: independentemente das legendas, a divisão costuma ser de 47 senadores governistas (58%) contra pelo menos 34 que acompanham a oposição. Durante o almoço, de acordo com participantes, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), se posicionaram contra a criação da CPI exclusiva na Casa. Jucá, segundo esses relatos, cobrou o cumprimento do acordo pelo qual as denúncias de irregularidades no uso dos cartões seriam investigadas unicamente pela CPI Mista.O líder do DEM, senador José Agripino (RN), reagiu: "Mas não houve acordo para participarmos do jogo de truculência e de encobrimento das investigações na CPI Mista." Ainda segundo participantes do almoço, os oposicionistas anunciaram que não darão quórum para a votação das medidas provisórias (MPs) que estão trancando a pauta do Senado e ainda se posicionaram a favor da aprovação do projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) que, contra a vontade do governo, reajusta benefícios de aposentados da Previdência.

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