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Seitenfus critica seu afastamento de missão no Haiti

O brasileiro Ricardo Seitenfus, destituído pela Organização dos Estados Americanos (OEA) da missão de paz no Haiti por ter criticado a ação da ONU no país, disse hoje que seu afastamento foi "contraproducente" e pretende "calar a aspiração do Haiti de tentar recuperar sua autonomia".

LISANDRA PARAGUASSÚ, Agência Estado

02 de janeiro de 2011 | 20h23

Seitenfus, que era representante especial da OEA no Haiti, esteve hoje na posse de Antônio Patriota no Itamaraty. Em dezembro do ano passado, em uma entrevista ao jornal suíço Le Temps, ele disse que a ONU impôs a presença de suas tropas no Haiti apesar de o país não viver uma situação de guerra civil.

"O Haiti não é uma ameaça internacional. Não estamos em situação de guerra civil. O Haiti não é nem o Iraque nem o Afeganistão. E, no entanto, o Conselho de Segurança (da ONU), diante da falta de alternativa, impôs a presença dos ''capacetes azuis'' desde 2004, após a saída do presidente (Jean-Bertrand Aristide)", disse ao jornal. Seu afastamento foi decidido logo após a publicação da entrevista, no dia 20 de dezembro, e Seitenfus foi comunicado no dia de Natal. Seu mandato iria até o final de março.

"É uma grande surpresa, porque dei esta entrevista em meados de novembro, mais ou menos como se fosse uma prestação de contas. Houve uma repercussão imensa e ultrapassou tudo que eu pensava e imaginava", contou. "Tenho impressão que não falei inverdades. O Haiti não precisa de tantos soldados. O Haiti precisa de engenheiros, técnicos e desenvolvimento sócio-econômico", justificou. "O Haiti não pode ser simplesmente objeto ou coadjuvante da sua própria história. O Haiti tem de estar no centro da sua história. São reflexões generosas feitas com o coração, mas que retratam a percepção de muita gente que não tem voz. Fui o porta-voz daqueles que não tem voz".

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