Seita diz que pais de bebê clonado virão ao Brasil

Os pais de um bebê clonado no Japão deverão vir ao Brasil nos próximos dias para apresentar provas da clonagem de seu filho, anunciaram nesta segunda-feira o líder do Movimento Raeliano, Claude Vorilhon (autodenominado Rael), e Brigitte Boisselier, presidente da empresa Clonaid.Os dois estão no País para falar de suas crenças, da seita e divulgar o lançamento da versão em português do livro "Sim, Clonagem Humana", da autoria de Rael. Segundo relatos da imprensa britânica, Brigitte deveria apresentar nesta segunda, em São Paulo, provas documentais de que sua empresa realmente clonou seres humanos.O que ela mostrou, na tela de um laptop, foi a foto de um bebê dentro de uma incubadora, deitado de bruços e com o rosto escondido - supostamente o filho clonado do casal japonês. "Como vocês podem ver, o bebê tem dois braços, duas pernas e é perfeitamente saudável", disse Brigitte.A dupla raeliana anunciou também a criação de uma fundação internacional de apoio aos pais de crianças clonadas, orquestrada pelo casal japonês, mas com sede no Brasil. Apesar de nenhuma criança clonada ter nascido no País, tanto Brigitte quanto Rael disseram considerar o Brasil uma sociedade "aberta" e "amigável" à clonagem."Recebemos apoio de brasileiros que gostariam de ter um filho clonado", disse a presidente da Clonaid. "O Brasil seria um bom lugar para a fundação." A Clonaid e o Movimento Raeliano, seita segundo a qual a raça humana foi criada na Terra por alienígenas, viraram notícia em dezembro, quando Brigitte anunciou ter feito o primeiro clone de um ser humano: uma menina chamada Eva.Apesar de muitas promessas, nenhuma prova científica foi apresentada até hoje, o que transformou a empresa em motivo de piada - e muita preocupação ética - dentro da comunidade científica.A Clonaid diz ter produzido cinco clones: em Israel, Holanda, Japão, Arábia Saudita e América do Norte. O objetivo da empresa, segundo Brigitte, é ter um laboratório em cada continente, para gerar outros 20 clones - entre eles o de um casal brasileiro.Além de servir de sede para a fundação de apoio às famílias com clones, o Brasil também tem a preferência dos raelianos para receber o laboratório do continente americano. Em sua chegada ao Brasil, Rael disse que a idéia era "fazer um complexo turístico que abrigue uma clínica de clonagem".O primeiro passo seria a instalação de um laboratório de preservação celular, para que as células de pessoas possam ser estocadas e cultivadas até o momento da clonagem. Brigitte e Rael disseram estar em contato com políticos brasileiros e que deverão fazer uma apresentação para a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul na próxima quinta-feira.A razão pela qual as provas das clonagens não foram apresentadas, segundo Brigitte, é o respeito à privacidade das famílias. "Serão os pais que apresentarão as provas. Minha reputação científica não importa nada."Perguntada se a empresa tinha intenção de apresentar provas por conta própria, Brigitte esquivou-se e respondeu que a coletiva era sobre o livro. "Os clones são seres humanos, não são atrações de circo", disse Rael. "As provas chegarão na sua devida hora."Os raelianos acreditam que a clonagem é a chave para a vida eterna, pois seria possível clonar uma pessoa seguidamente, transferindo sua personalidade. Essa tecnologia, segundo Rael, deverá estar disponível nos próximos 20 anos, quando ele clonará a si próprio.

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