Seis votos e crise Renan dificultam CPMF no Senado

Planalto avalia que tem 43 dos 49 apoios necessários à prorrogação do tributo, que deve ser aprovado este ano

NATUZA NERY, REUTERS

10 de outubro de 2007 | 20h04

Seis votos e a crise Renan Calheirosseparam o governo da aprovação da CPMF no Senado. O Palácio doPlanalto avalia que tem 43 dos 49 apoios necessários àprorrogação do tributo e tenta administrar as dificuldades coma oposição: contra a matéria e radicalmente contra o presidentedo Congresso. "A prioridade é remover esse contencioso chamado Renan.Qualquer outro assunto, incluindo CPMF, é menos importante doque esse", afirmou o senador José Agripino (DEM-RN), líder dabancada. "Renan é um problema da instituição. A CPMF é umproblema do governo", completou. Renan Calheiros está politicamente desidratado, mas aindalidera um grupo forte de aliados, sobretudo no PMDB. Opresidente do Senado garante que não pedirá licença do cargo,enquanto a oposição promete obstruir até minuto de silêncio seo Conselho de Ética não votar, no limite de 2 de novembro, ostrês processos por quebra de decoro que tramitam contra ele. A novidade agora é o PT, que mudou de lado. Antes divididona defesa de Renan, já defende em público seu afastamento. "A quase totalidade (do partido) quer que ele se afaste",disse à Reuters o senador Flávio Arns (PT-PR). Renan perdeu muitos soldados desde sua absolvição peloplenário da Casa. Muitos senadores pintam um quadro ruim paraele, mas ninguém se arrisca a cravar um resultado. No primeiroprocesso, enquanto a maioria dizia que ele seria cassado, opeemedebista acabou escapando com 40 votos favoráveis a ele, 35contra e seis abstenções. Na prática, livrou-se da perda do mandato por uma diferençade 11 votos. Hoje, esse placar seria menor. O resultado, noentanto, ainda é imprevisível. A prorrogação da CPMF foi aprovada em dois turnos na Câmarae já está a caminho do Senado. A primeira barreira será oDemocratas, já que a senadora Kátia Abreu (DEM-GO), relatora daPEC, vai usar ao máximos o prazo que tem (30 dias) parapostergar a votação. O governo avalia que, quanto mais tempodemorar, mais risco de derrota haverá. "A questão Renan é interna. Vamos atrás de todos os votos,inclusive o do senador Renan, para aprovar a CPMF", afirmou olíder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Vamos encontrar uma solução para diminuir a pressão",acrescentou o líder do governo, aliado de Renan. Alguns interlocutores dizem que o fato de o PT terabandonado o barco não significa que o Planalto também o fez. Ogoverno nem tem maioria folgada no Senado, nem um nome paracolocar no comando da Casa. E é exatamente desses dois fatoresque Renan se aproveita para não perder a cadeira.

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