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Seis cardeais brasileiros poderão participar da eleição do papa

D. João Braz de Aviz, ex-arcebispo de Brasília, está entre os escolhidos do Vaticano para integrar o Colégio Cardinalício

José Maria Mayrink - O Estado de S. Paulo,

18 de fevereiro de 2012 | 10h57

Com a nomeação de mais 22 cardeais, no consistório que Bento XVI reuniu hoje no Vaticano, o Brasil passa a ter seis votos num eventual conclave ou reunião para eleição do papa. O catarinense d. João Braz de Aviz, de 64 anos, ex-arcebispo de Brasília e atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cargo para o qual foi nomeado em janeiro de 2011, está entre os escolhidos para integrar o Colégio Cardinalício, que terá agora representantes de 71 países, com um total de 213  membros, dos quais 125 são eleitores.

Além de d. Joãoe Aviz, são eleitores d. Cláudio Hummes, prefeito emérito da Congregação para o Clero, d Eusébio Scheid, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador, d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e d.Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida. Os cardeais d. Eugenio de Araújo Sales (Rio de Janeiro), d. Paulo Evaristo Arns (São Paulo), d. Serafim Fernandes de Araúo (Belo Horizonte) e d. José Freire Falcão (Brasília), não participam mais de conclaves por terem já completado 80 anos, idade limite de acordo com o Direito Canônico.

No novo quadro de cardeais, a Itália continua com o maior número de eleitores, no total de 30. Em seguida, têm maior peso os Estados Unidos (12), Alemanha e Brasil (6 cada), Espanha (5), Índia, França, México e Polônia (4 cada), Os demais eleitores dividem-se entre outros 61 países. Pela distribuição geográfica, a Europa tem 67 eleitores, a América Latina 22,  América do Norte 15, África 11, Ásia 9 e Oceania 1.

Dez dos cardeais que recebem hoje suas insígnias, em cerimônia presidida pelo papa no Vaticano, ocupam cargos de destaque na Cúria Romana. Além de d. João de Aviz, estão entre eles o italiano d. Fernando Filoni, prefeito da Congregaçãpo para a Evangelização dos Povos, e o português d Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé. Quatro dos nomeados – sendo um arcebispo e três sacerdotes – já completaram 80 anos e, portanto, não votariam no conclave. Nesse caso, a nomeação significa uma deferência especial do papa aos escolhidos. Um deles, o jesuíta padre Karl Becker, de 83 anos, não participou da cerimônia pública, por motivos de saúde. Será confirmado “de forma privada, em outro momento”, segundo a Santa Sé.

Este é o quinto consistório convocado por Bento XVI que, em quase sete anos de pontificado, a serem completados em 19 de abril, criou 84 novos cardeais, dos quais 63, ou mais de metade dos 125 eleitores, com direito a voto. Paralelamente à nomeação de candidatos óbvios ao título, como os arcebispos de Berlim, Florença, N ova York e Praga, cidades que tradicionalmente são sedes cardinalícias, o papa surpreendeu com a escolha do arcebispo de Hong-Kong, na China, país que não tem relações com a Santa Sé e não reconhece a Igreja de Roma em seu território.

No Brasil, surpreende o fato de Bento XVI não ainda nomeado cardeal  d. Orani  João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, primeira  cidade da América Latina a ter um cardeal. Explicação: o Vaticano não costuma nomear cardeal para uma arquidiocese que já tenha um eleitor – no caso, d. Eusébio Scheid, de 79 anos, arcebispo emérito do Rio, embora residindo em São José dos Campos. D.Cláudio Hummes, que foi arcebispo de São Paulo, onde voltou a morar depois de se aposentar, tem o título de prefeito emérito da Congregação do Clero.

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