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Em tom eleitoral, PT ataca oposição

Programa do partido na TV, recebido com panelaço e buzinaço, repetiu tática ‘nós contra eles’; Dilma disse saber suportar pressão

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 11h10

Texto atualizado às 23h25

BRASÍLIA - O PT repetiu nesta quinta-feira à noite na televisão e no rádio o tom e o formato dos programas da campanha eleitoral da então candidata à Presidência Dilma Rousseff no ano passado. A peça, que foi ao ar em cadeia nacional, voltou a usar a fórmula de atacar a oposição, exaltar conquistas das gestões petistas no Planalto e atribuir a crise econômica ao cenário internacional. Ao final, o programa petista ainda ironizou os panelaços contra a presidente e o partido, verificados novamente ontem em diversas cidades. 

Mesmo sem citar diretamente as articulações políticas em curso para barrar o mandato da presidente Dilma Rousseff, a propaganda do PT fez referência ao movimento, sob o argumento de que é preciso evitar que a crise ameace a democracia e traga mais sofrimento ao País, como ocorreu na ditadura militar. “Estamos em um ano de travessia e essa travessia vai levar o Brasil a um lugar melhor”, disse Dilma no programa de TV. “Quem pensa que nos faltam energia e ideias para vencer os problemas está enganado. Sei suportar pressões e até injustiças. Eu tenho o ouvido e o coração neste novo Brasil que não se acomoda, que não se satisfaz com pouco.”

Dirigida pelo marqueteiro João Santana e tendo como âncora o ator José de Abreu, a propaganda destacou que o governo do PT procurou de todas maneiras evitar que a crise “arrombasse a porta dos brasileiros” e, se não acertou em cheio, tentou fazer o “bem”.

Perguntas. Embora de forma mais suave, uma outra versão do “nós contra eles”, que marcou a campanha eleitoral do ano passado, aparece na propaganda de TV do partido. “Aqui para nós: não é melhor a gente não acertar em cheio, tentando fazer o bem, do que errar feio, fazendo o mal?”, pergunta o âncora José de Abreu.

Com dez minutos de duração, o programa exibiu fotos do senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e de outros políticos que pregam o afastamento de Dilma, como os senadores do DEM José Agripino (RN) e Ronaldo Caiado (GO).

Depois de mostrar números referentes a investimentos e medidas adotadas por Dilma para sair da crise, a propaganda lança uma indagação: “Será que tumultuar a política traz solução para a economia?”.

Nesse momento, um locutor lembra que a ditadura militar foi resultado de uma crise política e durou 21 anos. “Não se deixe enganar pelos que só pensam em si mesmos”, diz uma voz, enquanto imagens de Aécio, Caiado, Agripino e também dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade, passam rapidamente na tela.

A investigação da Operação Lava Jato, que desvendou um esquema de corrupção na Petrobrás, não foi mencionada no programa do PT. A novidade ficou por conta de uma ironia aos protestos: “Nos últimos tempos começaram a dar uma nova utilidade às panelas”, disse o locutor do programa.

Veja o programa do PT que vai ao ar nesta noite:

Panelaço. Enquanto o programa de televisão era exibido, foi possível ouvir panelaços e buzinaços em várias capitais brasileiras. Em São Luís, um trio elétrico circulou pela cidade, incentivando o ato hostil contra a presidente Dilma Rousseff. O barulho das panelas ecoou também por diversos bairros de Salvador, como Rio Vermelho, conhecido reduto petista. 

No Recife, o barulho começou uma hora antes da inserção petista com manifestantes carregando panelas e cartazes. Um ambulante vendia panela e colher de pau por R$ 5 no bairro das Graças. Ainda no Nordeste, em Fortaleza, um grupo de 40 pessoas ligadas ao Instituto Democracia e Ética aproveitou para fazer panfletagem convocando para a manifestação contra o governo Dilma prevista para o dia 16 deste mês. 

No Sudeste, na capital mineira, simpatizantes da presidente reagiram ao protesto gritando “estão com fome?”, em bairro da região Centro-Sul da cidade. Em São Paulo, houve buzinaços e apitaços em Pinheiros, Barra Funda, Santa Cecília, Ipiranga, Tatuapé, Moema, Itaim e Brooklyn, entre outras vizinhanças. 

No Sul, houve manifestação contrária à presidente Dilma em partes do centro de Porto Alegre, nos bairros Independência, Petrópolis e Santana e também no morro Santa Teresa.

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