Seguranças de Lula viajaram 111 vezes a sítio em Atibaia, diz revista

Relatórios produzidos pelo Palácio do Planalto apontam que funcionários do ex-presidente passaram seis finais de semana na propriedade

O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2016 | 18h41

Atualizada em 03 de feveireiro, às 15h29

Segundo relatórios de viagem produzidos pelo Palácio do Planalto, seguranças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajaram 111 vezes a Atibaia e passaram 283 dias na cidade, entre 2012 e 11 de janeiro deste. É em Atibaia onde fica um sítio de 170 mil metros quadrados alvo de inquérito da Operação Lava Jato desde meados do ano passado. 

De acordo com reportagem publicada pela revista Época nesta segunda-feira, 1, somente entre junho e julho de 2014, os seguranças de Lula passaram seis finais de semanas na propriedade. As visitas mais recentes foram no início de janeiro, incluindo o período do réveillon.

A assessoria de imprensa do ex-presidente confirma que, "em dias de descanso", Lula frequenta o sítio. A defesa do ex-presidente sustenta que o petista não é proprietário, mas "beneficiário indireto" do local. Os dados levantados pela revista Época são mais uma evidência de como Lula e sua família eram frequentadores assíduos de uma propriedade que, no papel, não lhes pertence.

Outra evidência de como o sítio era usado por Lula é que a ex-primeira-dama Marisa Letícia adquiriu um pequeno barco de pesca e indicou como endereço para entrega o sítio em Atibaia.

O sítio é de propriedade de dois sócios de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente - Jonas Leite Suassuna e Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, fundador do PT e amigo próximo de Lula.

A área está no radar da Operação Lava Jato porque há a suspeita de que Lula tenha praticado a ocultação de patrimônio. Há também evidências de que uma reforma no local teria sido paga pela Odebrecht. Executivos e sócios da empreiteira são réus por corrupção, acusados de pagar propinas para obter contratos com a Petrobrás.

A reportagem da Época destaca ainda que Lula, como ex-presidente da República, tem direito ao serviço de segurança, mas que os agentes estiveram na propriedade até mesmo quando o petista estava em viagem fora do País - a lei não estenderia esse benefício a familiares. O Instituto Lula contesta essa informação. Diz que o ex-presidente tem direito a cargos de livre provimento e que os seguranças poderiam acompanhar familiares de Lula. A assessoria do ex-presidente diz ainda que não confirma o levantamento feito pela revista.

Nesta quarta-feira, 3, a Odebrecht informou por meio de nota que "a Construtora Norberto Odebrecht não identificou relação da empresa com a obra." 

O engenheiro da empreiteria, Frederico Barbosa, que, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, acompanhou as obras no sítio, diz que apoiou, "na qualidade de engenheiro civil", um amigo que havia sido contratado contratado para realizar a reforma "de uma residência no município de Atibaia". "Diferentemente do que afirma reportagem da Folha de S. Paulo, nunca dei orientações sobre emissões de notas fiscais pela loja mencionada, nem realizei tais pagamentos", afirma Barbosa, em nota.

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