Segurança só vai melhorar em 2 ou 3 anos, diz general

Com o envio de uma medida provisória (que amplia os poderes dos diretores de presídio), um pedido de urgência nas votações sobre segurança e a promessa de novas decisões depois do carnaval, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu a campo, na semana passada, na luta contra a violência. Mas os resultados concretos só surgirão dentro de dois ou três anos. A avaliação é do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, um dos principais conselheiros do presidente e um dos articuladores do Plano Nacional de Segurança Pública. Ele diz que essa batalha é primordialmente dos Estados, mas reconhece que ela só será vencida com a mobilização de todos. "Essa guerra não está perdida", insiste Cardoso. Ele admite que se perdeu espaço na prevenção, "mas é um terreno facilmente recuperável". No momento, coordena o plano de integração e acompanhamento de programas sociais de prevenção à violência. "Estamos estendendo o programa para Curitiba, Foz do Iguaçu, Cuiabá, Fortaleza e o Entorno do Distrito Federal", adiantou. Uma das soluções por ele defendidas, para uma boa política de segurança, é a criação de verba vinculada, no Orçamento dos Estados. Mas essa iniciativa, comenta, depende de uma definição de segurança pública como prioridade pelos governos estaduais. Estratégia - Outra sugestão do general é um conjunto de cinco pontos que considera fundamentais para a redução da violência, entre os quais estruturação da inteligência policial integrada em nível nacional e maior agilidade do processo penal, evitando-se brechas na legislação que permitam que os bandidos sejam soltos rapidamente. Cardoso defende, também, o fortalecimento do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), encarregado do acompanhamento do trabalho das secretarias de segurança dos Estados. Na entrevista concedida ao Estado, depois de participar, ao lado de Fernando Henrique, de inauguração de centrais de policiamento integrado, o ministro-chefe da Segurança Institucional reconheceu que existem, em algumas regiões, áreas geográficas que estão fora do controle social do Estado, mas não quis identificá-las. Ele avisou, a propósito, que cada governo tem de agir para retomar o controle. Esse tipo de problema, diz Cardoso, não indica que as Forças Armadas tenham de ir para as ruas. O papel delas, acrescenta, é de apoio e controle das fronteiras, cujas ações estão sendo intensificadas. "O Exército está deslocando efetivos para áreas da Amazônia e do Centro-Oeste e deixando de incorporar recrutas no litoral para incorporar recrutas nas unidades de fronteira." Lembrado para comandar uma possível Câmara de Gestão da Segurança Pública, inspirada na Câmara de Gestão da Crise de Energia, ele rejeita a idéia. "No caso da criminalidade, há um adversário dotado de vontade, que tem iniciativa", comparou. Sem retorno - A retomada de consciência sobre a questão da violência, diz ele, chegou agora a um "ponto que não tem retorno". Depois do carnaval, quando o Congresso retomar seus trabalhos, o presidente da República deverá determinar aos líderes do governo prioridade na aprovação dos projetos relacionados à segurança pública. É a continuação de uma ofensiva iniciada na quarta-feira, com o envio da MP que pede ampliação dos poderes dos diretores de presídio. Na quinta-feira, o presidente esteve presente na inauguração de dois centros integrados de polícias, na periferia de Brasília, para mostrar que a unificação de comando é uma prioridade de seu governo. Deixou claro, na ocasião, que só receberá o dinheiro do fundo para segurança pública quem atender às exigências do governo federal. O presidente poderá até mesmo, como já fez de outras vezes, assumir o comando da pressão sobre os parlamentares para votar as propostas, que incluem a proibição da venda de armas, mudanças no Código Penal e outro texto que permite aos Estados unificarem as polícias.

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