Segurança no trânsito é o tema do Dia Mundial de Saúde

Todos os anos, o mundo registra 1,2milhão de mortes no trânsito, o dobro do número de vítimas dehomicídios. Esse total, por si só, explica por que a OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) escolheu a Segurança de Trânsito comotema do Dia Mundial de Saúde, celebrado nesta quarta-feira. A entidadesugere uma discussão mundial, com reuniões regulares entregovernos para discutir as propostas. No relatório que será divulgado, a OMS mostra queessa é a primeira causa de morte violenta, a segunda entrepessoas de 5 a 29 anos e a terceira na faixa de 30 a 44 anos.Além disso, 50 milhões de pessoas são feridas, muitas com gravesseqüelas. Estima-se que prejuízos anuais cheguem a US$ 518bilhões. O que equivale a dizer que cada país perde de 1% a 2%do produto interno bruto (PIB). "Milhares de pessoas morrem nas estradas todos os dias.Não estamos falando sobre acaso ou ´acidentes´. Estamos falandosobre colisões. Os riscos podem ser compreendidos e prevenidos",escreveu o diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook, na apresentaçãodo Dia Mundial de Saúde. O relatório traz textos de vários chefes de Estado,entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmaque no Brasil 30 mil pessoas morrem por ano no trânsito. Dototal, 44% têm de 20 a 39 anos e 82% são homens. Na mensagem,Lula diz que o governo vem concentrando esforços para adotar umprograma de segurança, com campanhas educativas. No estudo da OMS, a maior concentração de vítimas éregistrada nos países em desenvolvimento, embora eles tenhamfrota menor que a dos desenvolvidos. O relatório, contudo,lembra que a violência ocorre de forma generalizada. Envolvemotoristas, pedestres, passageiros de transporte coletivo,ciclistas e motociclistas. Entre os grupos mais vulneráveisestão crianças, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. O relatório observa que, embora crescente, o problemaainda recebe atenção inadequada das autoridades, nacionais ouinternacionais. Para a OMS, o trabalho ineficiente pode seratribuído, em parte, ao fato de que governos não dispõem de umórgão específico para coordenar todas as atividades referentes àsegurança. "A responsabilidade para tratar dos vários aspectosdo problema - incluindo o modelo dos veículos, o traçado dasvias e rodovias, a legislação e a fiscalização das normas detrânsito e o socorro às vítimas - é assumida por diferentessetores." Para a OMS, é preciso que os governos se convençam deque a violência no trânsito pode ser evitada e investimentossejam feitos para reduzir os riscos. A tarefa, reconhece, não éfácil para países em desenvolvimento, que necessitam buscarlinhas de financiamento. Mas é um esforço necessário e urgente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.