Segundo Bernardo, solução é ''''partir para o voto''''

Ministro propôs negociação de plano estratégico para corte de impostos e contribuições

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o governo decidiu "partir para o voto" a fim de conseguir a aprovação da proposta de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) porque considera que não há uma situação para negociar com a oposição. A declaração é um sintoma de que a disputa no Congresso, radicalizada com a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), transbordou para toda a Esplanada."O que tinha era o governo propondo a continuidade da CPMF e a oposição, do outro lado, querendo acabar com ela", explicou o ministro. "Uma coisa é negociar as alternativas de como fazer. Isso faz parte do processo democrático. Agora, se vão querer nos derrotar, então vamos fazer uma força para ganhar a votação." Num primeiro momento, governo e base aliada cogitaram uma redução da alíquota como forma de facilitar a tramitação da proposta.Segundo Bernardo, o governo considera importante trabalhar para reduzir a carga tributária e já fez desonerações pontuais que ajudaram a desenvolver diversos setores da economia. Ele disse que o governo poderá mudar o enfoque da proposta de reforma tributária que está sendo fechada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçando uma desoneração mais ampla e geral."O governo não foge desse debate, mas não podemos aceitar abrir mão da CPMF daqui para o ano que vem porque não vai fechar a conta", afirmou. De acordo com o ministro, "é impensável para quem tem responsabilidade com o País perder R$ 40 bilhões (previsão de arrecadação para 2008) da noite para o dia". CRONOGRAMAEm resposta às críticas de que o governo Lula fez pouco até agora para reduzir a carga tributária, Bernardo propôs na quinta-feira negociação de um plano estratégico para o corte dos impostos e contribuições nos próximos anos. O plano, segundo ele, teria um cronograma com prazos estabelecidos previamente para a redução gradual da carga tributária. Esse plano seria negociado com o Congresso e estabelecido numa proposta de emenda constitucional. "Tem de ser pactuado", afirmou. "O presidente Lula toparia, pois reduzir a carga tributária é um desafio para o governo federal."

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