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Seguidos e seguidores

“Mostre-me quem segues no Twitter e te direi quem és.” Ou, pelo menos, sua preferência partidária. Novos testes mostram que a máxima vale, pelo menos, para uma constelação do universo político: a Câmara dos Deputados. Parlamentares que votam parecido tendem a ter mais amigos em comum na rede social do que com aqueles que estão distantes no espectro ideológico. Há, porém, um tipo de tuiteiro que os une: jornais e jornalistas.

José Roberto de Toledo, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 05h00

Estudo feito pelo Estadão Dados com ajuda do Ibope DTM revela que 428 dos 513 deputados federais têm contas no Twitter e seguem 272 mil tuiteiros diferentes. Mais interessante, há lógica por trás dos números: quem eles escolheram acompanhar na rede social evidencia suas preferências, interesses e prioridades. Pela comparação dos grupos que cada deputado segue, também ficam claras suas semelhanças e diferenças. É possível medir até quão distantes ou quão próximos estão uns dos outros.

A análise foi dividida em duas partes: a classificação de quais perfis os deputados mais seguem no Twitter, e o mapeamento dessas relações, para identificar grupos de parlamentares similares. Antes, porém, é preciso entender como o Twitter funciona: o usuário não escolhe por quem é seguido, mas elege quem vai seguir. Assim, se um deputado quiser saber o que a presidente Dilma Rousseff escreve, precisará acompanhá-la. É um ato voluntário. Portanto, denota a intenção de quem assim age.

+ Veja o infográfico interativo do Estadão Dados que mostra a postura dos deputados no Twitter

Mais da metade dos deputados federais com contas identificadas no Twitter segue a presidente. Mas a taxa varia de partido a partido. É muito mais comum Dilma ser seguida por petistas do que por tucanos. Dos 59 deputados tuiteiros do PT, quase a unanimidade, 56, segue a presidente. Já dos 49 do PSDB, só 15 tiveram essa curiosidade – menos de um terço. Pode-se dizer que era esperado, e as exceções tucanas e petistas revelam mais do que a regra. Mas o interesse aumenta quando se analisa o PMDB.

Dos 52 tuiteiros peemedebistas, só 26 seguem a presidente – exatamente a metade. Isso não quer dizer que sejam os seus aliados. Entre os deputados do PMDB que são “amigos” de Dilma no Twitter está o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que acaba de se declarar oposição ao governo. De certo modo, a internet antecipou esse movimento. Não só pelo que Cunha publica, mas porque Dilma não segue o presidente da Câmara nem no Twitter. Não por acaso, ele é o deputado mais seguido pelos colegas.

A conta da presidente é apenas a quarta que os deputados mais seguem. A mais popular entre eles é a institucional da Câmara dos Deputados, que publica notícias sobre o que ocorre na Casa. Notícias, aliás, é o que atrai parlamentares no Twitter. Do 2.º ao 10.º lugar no ranking dos perfis mais seguidos pelos deputados estão – com exceção de Dilma – meios de comunicação, com 230 a 192 seguidores: @folha, @g1, @Estadao, @CamaraNoticias, @BlogdoNoblat, @JornalOGlobo, @VEJA e @TVcamara.

Dos top 50 mais seguidos pelos deputados, nada menos do que 35 são meios de comunicação (29) ou jornalistas (11). Além dos já citados, aparecem com mais de 150 deputados seguidores: @cartacapital, @MiriamLeitaoCom, @congemfoco, @cristilobo, @RevistaEpoca, @radaronline e @EstadaoPolitica. As preferência variam de acordo com o partido, mas jornais, blogs, revistas e jornalistas parecem ser não apenas fonte de informação. São o campo comum que ainda une parlamentares de ideologias distintas.

Tome-se como exemplo a conta do Estado no Twitter: é seguida por 31 deputados do PMDB (mais do que Dilma ou Eduardo Cunha), 31 do PSDB, 28 do PT, 18 do PSD, 15 do PP, 11 do PSB e 8 do PC do B, entre outros. Isso não ocorre com outros tipos de perfil. Segundo político mais seguido, depois de Dilma, o senador José Serra tem 42 seguidores tucanos e só 12 petistas. Sem a imprensa, o diálogo entre opostos seria ainda mais difícil do que já é.

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