Seguidores de ACM tentam tumultuar processo no Senado

A provável derrota dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) tornou-se conveniente politicamente para o governo, para os aliados e para o próprio Congresso. Seria o desfechoideal, proporcionando a recuperação da imagem do Palácio doPlanalto. Na contagem regressiva para o fim do prazo pararenúncia, cresce a convicção, até entre amigos de ACM, que nãohá outra saída nem para ele nem para Arruda. Amigos do senador baiano, entretanto, insistem emencontrar uma solução digna, tumultuando o processo. Ocorregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP) encomendou àPolícia Federal nova perícia técnica, elaborada pelosespecialistas da Unicamp. O trabalho poderia resultar em umlaudo confrontando a conclusão dos especialistas paulistas. Outra cartada preparada pela tropa de choque de ACM éapresentar, na própria quarta-feira, no início da sessão, umrequerimento solicitando que o voto seja fechado. A medidaatrasa o começo da votação, pois envolve discussão e debate. Maso presidente do conselho, Ramez Tebet (PMDB-MS), estáirredutível em relação a isso. A decisão tem respaldo jurídico e regimental, já que, deacordo com especialistas, o processo contra os acusados não foiinstaurado e, portanto, essa fase é apenas de investigação. "Sehouver a alegação de que o processo foi aberto, então estarádesconsiderada a possibilidade renúncia, pois o prazo terá sidoencerrado", analisou um especialista. Tebet também está empenhado em buscar meios de impedirArruda de participar da votação. De qualquer maneira, o senadordo Distrito Federal já decidiu que pretende comparecer e seabster. No lugar de Arruda deve votar Antero Paes de Barros(PSDB-MT), favorável à cassação. Outra manobra que será usada durante a sessão será aapresentação do voto em separado pelo senador Paulo Souto(PFL-BA), pedindo apenas suspensão de mandato de ambos por até90 dias.Próximos passosCom o Conselho de Ética aprovando a cassação,hipótese mais provável e a única considerada possível nestemomento, a decisão é enviada imediatamente à Mesa Diretora doSenado, que, em seguida, se reúne. O presidente da Casa, JaderBarbalho (PMDB-PA), discute com os outros seis membros da Mesa edesigna um relator para o caso, que deverá ser o senador CarlosWilson (PPS-PE), que encaminhou ao Conselho de Ética o pedidopara investigação da fraude do painel de votação. A previsão é que todo o procedimento dure menos de 12horas. Embora não haja prazo regimental para o relator concluirseu parecer determinando arquivamento ou abertura do processo decassação, a expectativa é de que decida rápido. Os aliados deACM e Arruda prometem não aceitar pacificamente a tramitaçãorápida que Jader pretende impor caso o processo chegue à Mesa."Nada será rápido ou ágil, como querem alguns. Eles precisam deter direito de defesa na Mesa também", anunciou um deles. Caso a Mesa Diretora do Senado decida pela instauraçãodo processo, deverá encaminhá-lo outra vez para o Conselho deÉtica, que definirá o relator - que deve ser o senador SaturninoBraga (PSB-RJ) - e abrirá prazo de defesa. Novamente, serárealizada votação para definir se ACM e Arruda devem ou não sercassados e, por fim, a decisão será encaminhada ao plenário, queem votação secreta determinará o destino dos dois senadores.

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