Reprodução/MEC
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Seguidor de Olavo, secretário de alfabetização é cotado para assumir MEC no lugar de Weintraub

Possível substituto, Carlos Nadalim agrada ala ideológica; atual ministro seria indicado para vaga em banco no exterior

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 12h09

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro estuda nomear o secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, para o lugar de Abraham Weintraub no comando do Ministério da Educação. A exemplo de Weintraub, Nadalim é seguidor do guru bolsonarista Olavo de Carvalho e defensor do homeschooling - a educação domiciliar, sem precisar necessariamente da escola regular.

A solução caseira atenderia ao desejo da ala ideológica do governo em ter um substituto que agrade a base bolsonarista. A demissão de Weintraub é um aceno para uma pacificação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o Congresso, que pressionam para a saída do ministro.

Uma das possibilidades aventadas no Palácio do Planalto é Nadalim assumir de forma interina, dando tempo para que Bolsonaro encontre um nome para comandar a pasta de forma definitiva no futuro. Assim, o presidente repetiria o que fez no Ministério da Saúde, onde nomeou o general Eduardo Pazuello, até então secretário executivo, após a demissão de dois ministros.

Weintraub, que é economista, deve assumir um cargo num banco no exterior. O ministro tem o apreço da família Bolsonaro e o presidente buscou ao longo de toda essa semana buscar uma saída "sem traumas" para o auxiliar. O desfecho, segundo auxiliares do Planalto, foi costurado em conversas reservadas entre o presidente e o ministro.

Nesta quarta-feira, 17, Weintraub não participa da cerimônia de posse dos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Estão presentes o presidente do STF, Dias Toffoli, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes do Centrão.

Articulação. Nadalim foi apontado com um dos articuladores para a demissão de Ricardo Velez, antecessor de Weintraub. Na época, militares e olavistas disputavam cargos importantes na pasta. Com a chegada de Weintraub, os ideológicos ganharam poder.

Filhos do presidente e "olavistas" do governo defendem um substituto “à altura” e com o mesmo perfil de Weintraub para agradar à base bolsonarista. Políticos e militares, que querem um desfecho até o final desta semana, tentam convencer  Bolsonaro de que é preciso encontrar um nome que blinde a Presidência das polêmicas.

A situação de Weintraub já era considerada insustentável para uma parte do governo, mas piorou após ele se reunir, no domingo, 14, com manifestantes bolsonaristas. O grupo desrespeitou uma ordem do governo do Distrito Federal que proibiu protestos na Esplanada dos Ministérios.

Um dia depois, Bolsonaro criticou a participação do auxiliar no ato e disse que estava "tentando solucionar" a situação de Weintraub, que chamou de "problema".

"Eu acho que ele não foi muito prudente em participar da manifestação, apesar de não ter falado nada de mais ali. Mas não foi um bom recado. Por quê? Porque ele não estava representando o governo. Ele estava representando a si próprio. Como tudo o que acontece cai no meu colo, é um problema que estamos tentando solucionar com o senhor Abraham Weintraub", afirmou Bolsonaro em entrevista à BandNews TV. A declaração ocorreu pouco após o presidente se reunir com o ministro no Palácio do Planalto.

No encontro de domingo, o ministro insistiu em criticar integrantes do STF: “Eu já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”. A declaração remete ao que ele já havia dito na reunião ministerial do dia 22 de abril. Na época, o ministro afirmou que, por ele, colocaria na cadeia os ministros da Corte, a quem classificou como “vagabundos”. Weintraub responde a um processo por causa dessa afirmação.

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