Valter Pontes/Coperphoto
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Sede do PP na Bahia foi alvo de buscas na Operação Politeia

No mandado de busca da PF, o endereço da sede estadual do partido consta como 'antigo escritório' do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, investigado na operação

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 20h19

Brasília - A sede do Partido Progressista (PP) está entre os 11 locais do Estado da Bahia que foram alvos de buscas e apreensões realizadas na última terça-feira, 14, pela Polícia Federal no âmbito da Operação Politeia, desdobramento da Lava Jato no Supremo contra os políticos suspeitos de envolvimento no esquema de propinas na Petrobrás.

No mandado de busca da PF, o endereço da sede estadual do partido consta como "antigo escritório" do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, que hoje ocupa o cargo de conselheiro no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

O ex-ministro e ex-parlamentar do PP foi alvo de pelo menos outras duas buscas: uma delas realizadas em sua residência, em Salvador (BA) e na sede do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, local onde hoje trabalha. Nos locais, a PF levou documentos relacionados a doações eleitorais envolvendo o ex-parlamentar entre outros documentos. No TCM, por exemplo, foi levado o computador que é usado pelo conselheiro.

O Estado apurou que foram levados da sede do PP documentos referentes ao filho do conselheiro, Mário Negromonte Júnior, deputado federal pelo PP da Bahia.

As buscas realizadas em endereços ligados a Negromonte têm como base a delação feita por Rafael Ângulo, "mensageiro" do doleiro Alberto Youssef. O carregador de malas de Youssef teria relatado a investigadores que teria efetuado pagamentos em favor do ex-ministro.

Ilhéus. Além das buscas realizadas em Salvador, a PF realizou buscas também no município de Ilhéus, no Sul da Bahia. As ações tinham como alvo endereços ligados ao advogado Fernando Hughes.

Contudo, as buscas direcionadas ao escritório de Hughes têm origem na menção ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) por outro delator, Ricardo Pessoa, que é dono da empreiteira UTC.

Investigadores suspeitam que o advogado tenha recebido valores que teriam como destino final o senador. A suspeita surgiu com a declaração de Pessoa de que um advogado ligado a ele teria emitido notas e recebido dinheiro da UTC em nome de Ciro.

A defesa do senador, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, diz que a suposição é "absurda" já que o senador afirma não ter qualquer conhecimento sobre o advogado. A defesa afirma que o senador "nunca viu, ou conheceu ou falou com o tal advogado".

Para Kakay as ações pedidas pela Procuradoria-Geral da República e autorizadas pelo Supremo são "absurdas".

Segundo ele, a delação deveria ser usada para dar início às investigações, contudo, a Procuradoria usou o relator de Pessoa para fundamentar as buscas sem que tenha sido noticiada a abertura formal de um inquérito para apurar o fato.

"O depoimento de Ricardo Pessoa embasou, antes de qualquer investigação, a busca e apreensão. Há uma inversão de valores. A palavra de um delator ter força para determinar uma medida de força ainda sem uma investigação".

O senador Ciro Nogueira já é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal em investigações que tiveram como base as delações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

O advogado Fernando Hughes não foi localizado pela reportagem. O Estado apurou que também foram realizadas buscas em escritório de advocacia em Brasília para o qual o profissional já prestou serviços. 

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