Sede do Incra no Pará é invadida por 600 agricultores

Cerca de 600 agricultores sem-terra de cinco municípios do sudoeste do Pará invadiram nesta quarta-feira a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Altamira, mantendo reféns todos os servidores, inclusive o superintendente, Bruno Kempner. Os invasores cobram a implantação de assentamentos criados pelo governo federal no começo do ano passado e a liberação de recursos das associações, retidos há seis meses pelo Incra, além do pagamento de professores e pessoal ligado à saúde que atua nas áreas ocupadas. Agentes da Polícia Federal estiveram no local, pedindo que os líderes do movimento consigam persuadir os agricultores a desocupar o prédio e liberar os funcionários, mas não foram atendidos. No começo da tarde, após negociações com a PF, dois servidores foram soltos. Um, porque é cardíaco, e outra por ter passado mal durante a ocupação. A coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) em Altamira, Marta Suely da Silva, disse ao Estado que os agricultores só deixarão a sede quando suas reivindicações forem atendidas. Ela negou que a intenção dos lavradores fosse praticar qualquer tipo de violência ou constranger funcionários públicos. "Não há reféns. Tanto que alguns saíram para almoçar e ficaram de retornar ao prédio", acrescentou a líder do movimento. No final da tarde, a direção do Incra em Brasília determinou a liberação de 3.275 créditos de apoio, que equivalem a R$ 7,8 milhões. O dinheiro, segundo promessa, seria depositado na conta das associações de cada assentamento antes do final do mês. As entidades não aceitaram encerrar a manifestação, alegando que o governo precisa ainda liberar os créditos para habitação e retirar dos assentamentos os grileiros e madeireiros invasores. Segundo Silva, as famílias que ocuparam o Incra estão se sentindo abandonadas pelo governo e querem negociar suas reivindicações com algum diretor do órgão em Brasília que tenha "poder de decisão". O caso mais dramático dos sem-terra é o de 1.198 famílias do projeto de desenvolvimento sustentado Ademir Federicci, em Medicilândia, a 150 km de Altamira. Os 200 mil hectares do projeto, conhecido por PDS, estão sendo devastados por madeireiros. Todos os dias, dezenas de caminhões circulam pela área com madeira retirada ilegalmente e sem qualquer fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No final da tarde, a direção do Incra em Brasília determinou a liberação de 3.275 créditos de apoio, que equivalem a R$ 7,8 milhões. O dinheiro, segundo promessa, será depositado na conta das associações de cada assentamento e PDS antes do final do mês. As entidades não aceitaram encerrar a manifestação, alegando que o governo precisa ainda liberar os créditos para habitação e retirar dos assentamentos os grileiros e madeireiros invasores.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 16h27

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