Secretários propõem força nacional de saúde contra crises

Em reunião sobre a epidemia dedengue que atinge o Rio de Janeiro, secretários estaduais desaúde propuseram nesta quinta-feira a criação de uma "forçanacional" que agiria em momentos de crise. "Essa ação de mobilização para ajudar o Rio já é um embriãodessa 'força'. Vamos trabalhar com o Ministério da Saúde paraavançar nesta idéia", disse o presidente do Conselho Nacionalde Secretários de Saúde (Conass), Osmar Terra. "Conforme houvesse necessidade, faríamos uma mobilizaçãoespecífica para uma região", completou ele sobre a "força", queatuaria nos moldes da Força Nacional de Segurança. Antes do encontro, Terra afirmou que os médicos e pediatrassolicitados pelo Rio de Janeiro para atuar no combate à dengueserão cedidos por todos os 27 Estados do país e que não haverianecessidade de pedir ajuda a Cuba. "Ao menos 110 dos 154 solicitados já estão garantidos.Todos os Estados vão ajudar, não há dúvida. Cada Estado vaimandar pelo menos um ou dois médicos, haverá um rodízio",declarou Terra, que também é secretário Estadual de Saúde doRio Grande do Sul. Porém, o secretário estadual de Saúde do Rio, SérgioCôrtes, não descarta a idéia de solicitar ajuda internacional,como foi sugerido pelo governador fluminense, Sérgio Cabral. "Estamos sempre aguardando o próximo dia. Estamos com essesmédicos que chegarão a partir de domingo. Eles virão para oscentros de hidratação que ainda não foram abertos por falta deprofissionais e estamos abertos a receber quaisquer médicos",disse ele ao ser questionado sobre a vinda de médicos de Cuba. Segundo o presidente do Conass, a maioria dos médicostransferidos ao Rio são servidores estaduais e terão o saláriopago pelo próprio Estado de origem. O governo do Rio vai pagarum abono de 500 reais por plantão e custear despesas detransporte, hospedagem e alimentação. Os primeiros profissionais de saúde começam a chegar no fimde semana e os demais chegarão ao longo da próxima semana. Deacordo com Terra, não há prazo para que os médicos deixem acidade. "Eles ficarão o quanto for necessário. Com o conjunto deprofissionais que já tem no Rio de Janeiro e com esse pessoalque está chegando, acho que essa epidemia tem mais trinta dias.Depois o número de casos começa a declinar", disse ele. O secretário estadual de Saúde de São Paulo, Luiz RobertoBarradas Barata, ofereceu ao governo do Rio 200 leitos noshospitais de São Paulo e 100 mil exames para pacientes comsuspeita de dengue. "Isso seria bancado pelo governo do Estadode São Paulo", afirmou. O Estado do Rio já teve 67 mortes confirmadas por dengueeste ano, num total de 57 mil casos. Outras 58 mortes suspeitasestão sendo investigados, incluindo a de um médico do Exércitoque morreu na madrugada de quarta-feira com suspeita de denguehemorrágica. Só na capital houve 44 mortes por dengue. De acordo com oúltimo balanço de casos de dengue feito pelo município, nanoite de quarta, a semana passada registrou o menor número decasos de dengue desde a primeira semana de 2008. Foram notificados 1.546 casos no Rio, contra 2.002 dasemana anterior e 4.172 casos de três semanas atrás, quandohouve o pico de casos no município. As estatísticas oficiaisapontam que a última morte confirmada por dengue no Estadoaconteceu no dia 29 de março, justamente na capital. (Texto de Tatiana Ramil)

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