Secretário tenta acabar com clima de tensão no Pontal

O secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Alexandre Moraes, tenta amenizar o clima de tensão existente no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, desde que o líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior iniciou a formação de um superacampamento no município de Presidente Epitácio. A mobilização levou os fazendeiros a contratar seguranças armados para evitar invasões. Moraes vai apresentar as propostas do Governo do Estado para resolver a questão fundiária da região. O projeto prevê a regularização de parte das terras devolutas que são objeto de ações discriminatórias movidas pelo Estado. A proposta do governo é legitimar as propriedades com até 500 hectares e propor a venda das áreas maiores aos próprios fazendeiros. Com os recursos serão adquiridas terras para assentamentos. O secretário se reúne separadamente com lideranças do MST e da União dos Movimentos Sociais pela Terra (Uniterra), que também montam um acampamento em Epitácio. Terá encontro ainda com os diretores da União Democrática Ruralista (UDR), que representa 1.700 produtores da região. O presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, criticou a participação dos movimentos sociais nesse debate. "A questão das terras deve ser discutida somente entre as partes diretamente envolvidas, ou seja, o Estado e os produtores rurais. A inclusão do MST só vai tumultuar", afirmou. Rainha discorda da posição do líder ruralista. "Os donos dos latifúndios não admitem abrir mão das terras que tomaram do Estado." A UDR pedirá ao secretário providências para a retirada dos barracos instalados por Rainha nos acostamentos da rodovia vicinal SPV-53, em Epitácio. "Aquilo é uma ameaça a qualquer proposta de entendimento", disse Garcia. Moraes reúne-se também com os prefeitos do Pontal. Os encontros acontecem em um hotel de Presidente Prudente. Não está prevista a visita do secretário ao superacampamento de Rainha, como pretendiam as lideranças regionais do MST. A posição do secretário é de que a concentração de famílias em acampamentos não ajuda a resolver a questão das terras. "As famílias que serão assentadas pelo governo este ano já foram cadastradas."

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