Secretário teme suspensão de vestibulares

Se anulação de cotas prevalecer no TJ não haverá tempo para fazer novo edital, diz Cardoso

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, disse ontem que o vestibular das três universidades estaduais do Rio pode ser suspenso caso o Tribunal de Justiça mantenha, na próxima segunda-feira, a decisão que anula o sistema de cotas. De acordo com o secretário, não há tempo hábil para a preparação de um novo edital. As regras para o concurso foram publicadas em março e a primeira prova está marcada para o dia 21. Os cartões de confirmação começaram a ser distribuídos na terça-feira. Há 67 mil estudantes inscritos, que disputam cerca de 7 mil vagas em três universidades e nas academias do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. O governo investiu R$ 750 mil nessa edição do vestibular."É uma situação gravíssima. O vestibular é um processo, não é o dia da prova. Tem as normas que foram publicadas. A mudança dessas normas pode levar a uma série de ações que vão inviabilizar o vestibular", afirmou o secretário.Cardoso e os reitores das três universidades estaduais reuniram-se ontem com o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). Ele disse que está disposto a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o ingresso nas universidades estaduais pelo sistema de cotas. "Eu confio na sensibilidade dos desembargadores, mas se não formos felizes, vamos recorrer ao STF. O Judiciário brasileiro precisa dizer que país ele quer. A Justiça do Rio de Janeiro precisa dizer que Estado ela quer. A universidade precisa ter diversidade", defendeu Cabral.A procuradoria-geral do Estado ainda não recorreu da liminar concedida pelo Órgão Especial numa ação proposta pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP). Ele considera que a lei é demagógica e discriminatória e não atinge seus objetivos. "O preconceito existe, não tem como negar, mas a lei provoca um acirramento da discriminação na sociedade. Até quando o critério cor da pele vai continuar prevalecendo? A ditadura do politicamente correto impede que o Legislativo discuta a questão", disse o deputado.O que será analisado na segunda-feira é uma petição do Estado, em que o governo solicita que a liminar não tenha validade sobre este vestibular. Estudantes do ensino médio e das universidades estaduais programam manifestação para a porta do Tribunal de Justiça.No vestibular da Uerj de 2008, foram reservadas 2.390 vagas (45% das 5.200 vagas) para negros, egressos da escola pública, indígenas e deficientes físicos. Apenas 1.259 inscritos foram classificados no vestibular. Destes, 1.127 se matricularam. FRASESérgio Cabral FilhoGovernador do Rio"Eu confio na sensibilidade dos desembargadores, mas se não formos felizes, vamos recorrer ao STF. O Judiciário brasileiroprecisa dizer que país ele quer. A Justiça do Rio de Janeiro precisa dizer que Estado ela quer. A universidade precisa ter diversidade"

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