Secretário-geral da Fifa critica 'lentidão' na organização brasileira da Copa

Em entrevista na Inglaterra, Jerome Valcke disse que organizadores do Brasil precisam de 'um chute no traseiro'.

BBC Brasil, BBC

02 de março de 2012 | 18h06

O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, disse nesta sexta-feira que está preocupado com os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014.

Valcke disse a jornalistas na Inglaterra que a construção de estádios e de infraestrutura de transportes e hotéis para os torcedores está atrasada.

O dirigente afirmou ainda que poucas coisas estão funcionando no Brasil, que os organizadores precisam de "um chute no traseiro" e que o Brasil parece estar mais preocupado com ganhar a Copa do que com organizá-la.

'Discussões infindáveis'

Valcke, que está na Inglaterra para a reunião anual do conselho legislador da Fifa, fez duras críticas à Lei da Copa - que tramita na Câmara dos Deputados - e à lentidão da organização brasileira, segundo agências de notícias.

"O que é a Copa do Mundo para o Brasil, organizar a Copa ou vencer a Copa? Eu acho que é vencer a Copa. Quando você pensa na África do Sul, eles estavam mais preocupados em organizar do que em vencer", disse o oficial, citado pela AP.

Ele afirmou estar "frustrado" com o que chamou de "discussões infindáveis" no Congresso brasileiro sobre a Lei da Copa, que críticos dizem que dá muitos poderes e poucas responsabilidades à Fifa.

A comissão especial de deputados federais que analisa a Lei Geral da Copa (PL 2330/11) adiou para a próxima terça-feira a votação dos dez destaques ao relatório do deputado Vicente Candido (PT-SP).

O texto-base do projeto já foi aprovado, mas os deputados ainda precisam votar dez itens de destaque, antes de enviar o texto para o Plenário da Câmara e para o Senado.

Entre os assuntos a serem tratados está a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante as partidas da Copa do Mundo de 2014. Três dos dez destaques pedem que seja retirada a permissão para a venda.

'Sem Plano B'

De acordo com o secretário-geral, não há um "Plano B" para a Copa do Mundo de 2014. Ele disse que o evento acontecerá no Brasil, mas que os torcedores podem sofrer.

"(O Brasil) não tem hotéis suficientes em todos os lugares. Há mais do que o suficiente em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas, se você pensa em Manaus, é preciso ter mais", disse.

Sobre Salvador, ele opina que a cidade estaria pouco preparada para receber muitos torcedores. "A cidade é boa, mas (os trajetos) para ir ao estádio e toda a organização de transporte precisam melhorar."

O anúncio de que cada uma das 12 cidades-sede do Brasil receberá pelo menos quatro jogos causou preocupações sobre viagens aéreas dentro do país, por conta da infraestrutura aeroportuária.

"Tomamos a decisão de mover os times (de uma cidade para outra) e fomos criticados, porque se você torce para um time você terá que voar 8 mil quilômetros (para acompanhá-lo). Fizemos isso a pedido do Brasil para garantir que todas partes do país vejam a Inglaterra (por exemplo), caso o time se qualifique."

"Mas, tendo apoiado esta decisão, temos que garantir que os torcedores e a mídia - não os times, porque eles tem seus próprios aviões - conseguirão seguir as equipes", concluiu. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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