Secretário dos EUA vê ''ascendência do Brasil''

Para Shannon, encontro de hoje é oportunidade para fortalecer ?importante relação? com País

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

O papel do Brasil em uma ação coordenada para resolver a crise financeira global será o centro da conversa entre o presidente americano Barack Obama e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje, na Casa Branca. Segundo Thomas Shannon, secretário de Estado assistente, responsável pelo Hemisfério Ocidental - o cargo mais alto para a região -, o encontro será uma oportunidade para os dois conversarem sobre a cúpula do G-20 - organização que reúne países desenvolvidos e os chamados emergentes."Um esforço amplo para abordar a crise econômica, tanto nacionalmente, com pacotes de estímulo, como por meio de ação internacional coordenada, será parte importante da conversa", disse Shannon, em resposta a uma pergunta do Estado.Segundo o secretário, Lula e Obama já conversaram "várias vezes" por telefone. "O relacionamento tem forte componente de parceria global, é um reconhecimento da ascendência do Brasil no mundo", disse Shannon. "É uma oportunidade para fortalecer a importante relação que temos com o Brasil, relação bilateral, regional e global."A reunião deve durar cerca de uma hora. Durante 40 minutos, os dois presidentes estarão acompanhados de cinco auxiliares de cada lado. Os brasileiros serão os ministros Celso Amorim, Dilma Rousseff e Marco Aurélio Garcia, o embaixador Antonio Patriota e uma tomadora de notas. Do lado norte-americano o único nome confirmado é o de James Jones, conselheiro de segurança nacional. Depois, os dois presidentes se reunirão a sós, acompanhados apenas de intérpretes, no Salão Oval.Obama quer o Brasil como aliado nas discussões anticrise do G-20 em Londres, em 2 de abril. Os EUA defendem um pacote de estímulo coordenado entre os países do bloco. Já a Europa quer prioridade para maior regulamentação transnacional do sistema financeiro, medida que agrada também ao Brasil.Obama e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, defendem aumento substancial dos recursos do FMI para auxiliar economias em crise, como as do Leste Europeu, e viabilizar um estímulo fiscal global. Os EUA aumentariam a contribuição para o FMI, mas esperam que outros países, entre eles Brasil, China e Índia, façam o mesmo.Referindo-se à Venezuela e a Cuba, Shannon elogiou a iniciativa do Brasil "de promover um diálogo construtivo na região"e disse esperar que o governo brasileiro levante este tema nas conversas de hoje. "Esse tem sido um aspecto importante da diplomacia brasileira já há algum tempo", disse. "Nós esperamos que os brasileiros levantem algumas dessas questões conosco e queremos abordá-las com os brasileiros - mas precisamos reconhecer que, em última instância, nossa disposição de nos engajar de forma construtiva com países da região depende da disposição recíproca desses países de se engajarem conosco."AGENDAA agenda do presidente Lula nos Estados Unidos inclui vários outros compromissos. Antes do encontro com Obama, está programada uma conversa com o presidente da AFL-CIO - uma das mais importantes centrais sindicais do País -, John Sweeney. Após o encontro dos presidentes e um almoço na Embaixada nos EUA, Lula segue para Nova York, onde se hospeda no The Plaza Hotel. Não há compromissos para amanhã.Na segunda-feira, o presidente vai participar de um seminário econômico e dar entrevista a um programa da CNN. Depois, retorna ao Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.