Secretário do PR diz ter ido sem autorização ao Paraguai

O secretário da Comunicação Social do Paraná, Airton Pisseti, confirmou hoje, perante deputados da Comissão de Comunicação Social da Assembléia Legislativa, que esteve por nove vezes no Paraguai, antes de entrar em férias, ficando por 17 dias no país vizinho trabalhando na campanha presidencial do ex-bispo Fernando Lugo. Em nenhuma dessas vezes teve a autorização expressa do governador Roberto Requião (PMDB), conforme prevê o estatuto do servidor público e um decreto do próprio Requião. A oposição suspeita que parte das despesas pode ter sido paga com cartão corporativo. Ele negou as acusações.Pisseti, que entrou em férias no dia 19 de fevereiro, disse que autorizou a Secretaria da Administração a descontar o pagamento dos dias em que ficou no Paraguai. "Não acho justo porque continuava trabalhando, mas como um gesto de boa vontade decidi devolver", salientou. Ele repassou aos deputados da comissão extrato de um cartão corporativo que seria utilizado por ele, do qual constam gastos de apenas R$ 2.598,80. "São despesas feitas em viagens no Paraná", acentuou. Segundo Pisseti, tudo o que gastou no Paraguai, incluindo as passagens, saíram de seu bolso.Para comprovar, entregou o extrato de um cartão de crédito. O líder da oposição, deputado Valdir Rossoni (PSDB), no entanto, apresentou um documento para que o secretário assinasse, abrindo mão dos sigilos telefônico e bancário. Os deputados passaram, então, quase uma hora trocando acusações. Os oposicionistas abandonaram a reunião. "Se sacou o dinheiro de suas contas, por que não mostrar?" questionou Rossoni. Segundo ele, em razão da viagem sem autorização expressa, o secretário teria incorrido em crime de responsabilidade. Por não demiti-lo, Requião teria incorrido em prevaricação, acusa o deputado. "Vou consultar a assessoria jurídica sobre as medidas a tomar", afirmou.Os governistas interpretaram que, no decreto, é exigida a autorização apenas para viagens oficiais. "Fui em caráter privado", disse Pisseti. Ele ressaltou, no entanto, que Requião tinha conhecimento. O líder do governo na Assembléia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), salientou, ainda, que advogados ouvidos pelo governo afirmaram que o estatuto do servidor não se aplica a pessoas com cargo em comissão.

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