Secretário do Ministério da Justiça recebe ameaça de morte

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, foi ameaçado de morte, por telefone, por ter assinado a portaria que determinou o corte de ponto de policiais federais em greve. A área de inteligência do governo descobriu que a ligação foi feita de um orelhão em frente ao edificio-sede da PF, onde os grevistas estão concentrados há 35 dias. O ministério deverá pedir a abertura de inquérito para apurar a ameaça.Na segunda-feira, a secretaria-executiva do Ministério da Justiça recebeu uma ligação anônima, onde uma pessoa insistia em falar com Barreto, alegando que pretendia falar sobre a greve. Quando atendeu, o secretário verificou que seu interlocutor conhecia todo a rotina diária de sua família, inclusive apontando locais onde seus filhos freqüentavam ou estudavam e, por este motivo, exigia a revogação da portaria.O fato foi comunicado imediatamente à área de segurança do Ministério da Justiça. "Por ter agido rápido, foi possível localizar o orelhão e, a partir do horário da ligação, tentar encontrar quem fez a ameaça", afirmou uma fonte do Palácio do Planalto. Mesmo sabendo que o telefonema foi dado de um aparelho próximo de onde os grevistas estão concentrados, o governo não pretende usar a ameaça contra os policiais. "Este é um jogo que não vamos entrar, até pelo fato de há uma investigação em curso", acrescentou a fonte.Grevistas decidem hoje se continuam paralisaçãoNa segunda-feira, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ofereceu um reajuste de 17% dos policiais federais em greve, mas até a noite desta quarta-feira não havia recebido retorno da proposta. Além disso, o governo pretende manter a decisão de não mais cortar o ponto dos grevistas, revogando a portaria assinada na semana passada por Barreto. Segundo Thomaz Bastos, este será o último canal de negociação do governo, que não irá mais apresentar qualquer outra medida para tentar acabar com a greve. O comando de greve irá realizar uma reunião nesta quinta-feira com todos os representantes estaduais para decidir se o movimento irá continuar.

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