Secretário diz que passou "sufoco" como refém do MST

Depois de passar, nesta terça-feira, mais de sete horas de "sufoco" como refém de militantes do MST, o secretário estadual de Agricultura de Alagoas, Reinaldo Falcão, voltou nesta quarta-feira à cidade de Delmiro Gouveia, a 330 quilômetros de Maceió, para representar o governo do Estado na reunião com os sem-terra, que ameaçam com saques e novos bloqueios de rodovias se suas reivindicações não forem atendidas.Os sem-terra exigem agilidade na desapropriação de cinco fazendas, em quatro municípios do alto sertão alagoano: Picos, em Piranhas; Patativa, em Olho D´Água do Casado; Boqueirão, em Pão de Açúcar; Monte Escuro e Moxotó, em Delmiro Gouveia.Segundo Genivaldo Moura, da coordenação do MST, são cerca de 1.500 famílias morando em acampamentos improvisados, aguardando há mais de quatro anos a desapropriação dessas áreas. O MST reivindica ainda projetos de irrigação e assistência técnica para os assentamentos Nova Esperança, em Olho D´Água do Casado; e Jurema, em Delmiro Gouveia.Além disso, os sem-terra querem que seja investigado o desvio de R$ 1 milhão, em verbas federais, que deveria seria usado em um projeto de irrigação no assentamento Nova Esperança. O projeto estaria sob a responsabilidade da Construtora Gualtama.Essas reivindicações foram apresentadas após o bloqueio de um trecho da AL-220, entre Olho D´Água do Casado e Delmiro Gouveia, onde o secretário e quatro assessores ficaram refém dos sem-terra, que estavam armados de foices e pedaços de paus. "Passamos um sufoco danado, durante mais de sete horas", resumiu o secretário, que só foi liberado depois da intervenção da Comissão de Direitos Humanos da PM.Segundo o secretário, a situação era tensa porque os sem-terra estavam sem liderança e não sabiam direito o que queriam. "Como não havia comando, tudo podia acontecer, e eles exigiram que eu continuasse ali, caso contrário o protesto não acabava. Além disso, o nível de enfrentamento aumentava entre eles e os motoristas engarrafados, tanto é que eles liberaram o trecho por algumas horas, para evitar o confronto."Reinaldo Falcão disse ainda que a grande preocupação do governador Ronaldo Lessa (PSB) é a falta de definição do governo federal em relação à estrutura do Incra em Alagoas, que desde o início do ano está com um superintendente demissionário."O governo federal precisa definir que será o superintendente do órgão em Alagoas e traçar uma política de reforma agrária para o Estado", reclamou o secretário.A reunião com os sem-terra, em Delmiro Gouveia, contou com a participação de representantes da Ouvidoria Agrária, da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra) em Alagoas, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL), da Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento de Alagoas (Casal) e do Instituto de Terras do Estado (Iteral).O representante da Ouvidoria Agrária, Carlos Siqueira Fonteneli, disse que uma das alternativas é incluir as famílias dos acampamentos de sem-terra em Alagoas no Projeto Fome Zero, do governo federal. "São pessoas que estão em alto estágio de indigência e precisam de uma ação imediata de combate a fome, para que possam esperar por um pedaço de terra", afirmou Fonteneli, acrescentando que se essa ação demorar a violência vai aumentar."Alagoas é um Estado especial, que merece mais atenção das autoridades federais, porque foi um dos Estados da Federação que mais registrou conflitos de terras, nos últimos anos", afirmou Fonteneli, acrescentando que, no sertão alagoano, a situação dos sem-terra é ainda pior, porque, além da fome, as famílias sofrem com a seca. "Se a situação no Estado é complicada, nessa região é pior", concluiu.

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