Secretário de Yeda deixa cargo após tomar chope com indiciado

Ariosto Culau foi visto com empresário acusado de fraudar R$ 40 mi do Detran após governo romper contrato

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2008 | 12h26

O secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul, Ariosto Culau, pediu demissão do cargo na noite do último domingo, 28, 72 horas depois de ter sido visto tomando um chope com o empresário Lair Ferst, indiciado pela Polícia Federal como um dos principais responsáveis pela fraude de R$ 40 milhões no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A governadora Yeda Crusius (PSDB), que resistia à idéia, acabou aceitando a exoneração para evitar um desgaste ainda maior para o Executivo. Segundo o inquérito da PF que investigou o caso, a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia (Fatec), contratada sem licitação pelo Detran, terceirizava os serviços de elaboração e aplicação de testes teóricos e práticos para emissão de carteiras de habilitação de motoristas para empresas que, por sua vez, superfaturavam os serviços e repassavam parte dos ganhos para diretores da autarquia. A PF concluiu que empresas de familiares de Ferst também se beneficiavam do esquema. Na última quinta à tarde, Yeda anunciou o rompimento do contrato que o Detran mantinha com a Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), sucessora da Fatec. Na quinta à noite, Culau, que estava ao lado da governadora, se encontrou com Ferst para beber um chope na praça de alimentação do Shopping Total. O encontro gerou reações até de deputados da base de apoio a Yeda, que pediram a exoneração. O secretário pediu desculpas, ficou no cargo por mais três dias, e decidiu afastar-se na noite de domingo. O presidente da CPI na Assembléia Legislativa que investiga o caso, deputado Fabiano Pereira (PT), quer convocar Culau a prestar depoimento sobre os motivos do encontro com Ferst. A CPI reúne-se no fim da tarde desta segunda-feira e pode votar o requerimento. Além disso, a agenda do dia prevê o depoimento do empresário José Fernandes, apontado pela Polícia Federal como um dos mentores do esquema. Mas ele já apresentou atestado médico e não vai comparecer.  

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