Secretário de Transportes e petista batem boca em SP

A audiência pública da Câmara de São Paulo para discutir o Orçamento 2009 foi marcada hoje por um bate-boca entre o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, e o vereador de oposição Antonio Donato (PT). Em meio à discussão sobre as receitas previstas para a pasta no próximo ano, os dois voltaram à polêmica suscitada pela candidata petista à Prefeitura, Marta Suplicy, derrotada nas urnas, sobre a volta da possibilidade de carregar o Bilhete Único na catraca dos ônibus.O prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) proibiu a operação para combater fraudes no sistema de transportes. Enquanto o secretário defendia a restrição, que teria evitado a perda de R$ 180 milhões em fraudes, o vereador criticava a medida, dizendo que ela exclui quem não tem como recarregar R$ 9,20 no bilhete de uma só vez.Segundo Donato, esse seria o valor mínimo para recarregar o cartão nos postos fora de terminais de ônibus e do Metrô. Moraes contestou o dado, dizendo que R$ 2,30 bastavam para a recarga e acusando o vereador de usar os mesmos argumentos da campanha de Marta. "É lamentável a desinformação do vereador", disse Moraes. "Se a medida fosse uma maldade e tivesse atingido milhares de pessoas, como diz o vereador, o prefeito não seria reeleito."O embate permeou a audiência de três horas e só teve fim quando Donato leu, no momento final da sessão, dados obtidos minutos antes por uma assessora num posto de recarga das proximidades, que informava o valor mínimo de R$ 9,20. Irritado, o secretário retrucou. "Volto a dizer que ninguém teve problemas para recarregar (o bilhete), com R$ 2,30 ou R$ 9,20." Segundo o titular dos Transportes, 18% dos usuários costumavam recarregar o bilhete na catraca. Depois da proibição imposta por Kassab, 87% deles teriam passado a pôr créditos no bilhete com antecedência.O secretário reagiu ainda às criticas de vereadores de que destinaria subsídios elevados às empresas de ônibus da capital paulista. A compensação tarifária para as empresas prevista este ano é de R$ 557 milhões. Moraes atrelou o aumento do custo para manter o sistema à renovação da frota de ônibus, à ampliação do número de passageiros e ao compromisso firmado por Kassab de não elevar a tarifa de ônibus até o fim de 2009. "À medida que aumenta o número de usuários, precisa de mais compensação tarifária", disse. "É matemático."RecursosA Secretaria Municipal de Transportes (SMT) contará no ano que vem com verbas adicionais vindas do Fundo Municipal de Transportes, recém-adotado para receber recursos do pagamento de multas à Prefeitura. Segundo Moraes, o fundo acumula R$ 200 milhões - dinheiro que pode ser usado em projetos de sinalização, fiscalização e pequenas obras."O fundo vai garantir o uso integral dos recursos no trânsito, conforme determina a lei", afirmou o secretário. "Vai permitir a agilização de projetos de forma muito mais eficaz do que acontece hoje." A proposta orçamentária para 2009 da Prefeitura prevê gastos totais de R$ 1,39 bilhão para a Secretaria de Transportes.

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