Divulgação/Secretaria da Educação do Paraná
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Secretário de Educação do Paraná pode assumir lugar de Weintraub no MEC

Renato Feder é apontado como um perfil 'liberal' e de boa relação com o mundo empresarial; ele foi um dos maiores doadores individuais da campanha de João Doria para a Prefeitura, em 2016

Mateus Vargas e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 18h31

BRASÍLIA - O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, pode assumir o cargo de ministro da Educação e suceder Abraham Weintraub. Apontado como de perfil “liberal” e de boa relação com o mundo empresarial, Feder teve o nome sugerido ao presidente Jair Bolsonaro e, segundo integrantes do  Palácio do Planalto, iniciou um "namoro" com o governo. O secretário tem encontro marcado para esta terça-feira com o presidente.

A iniciativa de abrir negociação para Feder assumir o cargo teria partido do Palácio do Planalto, que busca um nome capaz de afastar do Ministério da Educação polêmicas que se acumularam durante a gestão de Weintraub.

Feder é empresário do ramo de tecnologia e, como revelou o BR Político, foi um dos maiores doadores individual na campanha de João Doria (PSDB) para Prefeitura de São Paulo em 2016, contra o então prefeito da capital paulista Fernando Haddad (PT). Na ocasião, o atual secretário estadual doou R$ 120 mil para o tucano. 

Fontes próximas do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), e lideranças do partido tentam se desvincular da indicação de Feder. Eles afirmam que o Palácio do Planalto sondou o secretário. Além de boa relação com o meio empresarial, Feder teria aprovação de representantes da comunidade judaica.

O secretário é defensor de escolas cívico-militares, uma bandeira de Bolsonaro, mas afirma que o governo não deve interferir em "linhas" de ensino adotadas por professores. Em entrevista ao Grupo RIC, em janeiro de 2020, Feder afirmou que professores podem, inclusive, usar o método do educador Paulo Freire de ensino. "A secretaria não deve dizer se o professor deve gostar de Paulo Freire, seguir Paulo Freire, ou outro autor. Temos grandes linhas, o que a gente quer é uma boa aula, que o aluno aprenda. E o professor tenha liberdade para seguir a sua linha. A secretaria não deve se meter nisso", disse.

Tido como um dos principais pensadores da histórias da pedagogia, Paulo Freire foi alvo de Bolsonaro diversas vezes. "Tenho de buscar meios para tirar 12 milhões, 13 milhões do desemprego no Brasil. Diminuir a pobreza. Consertar esse sistema educacional lixo que está aí, baseado em Paulo Freire", disse o presidente, sendo aplaudido por seus apoiadores em janeiro deste ano. 

O Estadão apurou que Feder e Bolsonaro já tiveram um encontro na última quarta-feira, antes mesmo da demissão de Weintraub. Dias depois, na sexta, o presidente Bolsonaro telefonou ao governador do Paraná e perguntou se poderia "desfalcar a sua gestão" ao trazer o secretário para Brasília.

De acordo com pessoas envolvidas na negociação, a indicação de Feder chegou ao Planalto com o apoio de empresários aliados ao governo, como Luciano Hang, dono das lojas Havan, Flávio Rocha, presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes, que inclui as lojas Riachuelo, e Meyer Joseph Nigri, fundador da Tecnisa. O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, pai do governador do Paraná, também defendeu o nome para o lugar de Weintraub.

Ex-ministro saiu após polêmicas

Weintraub ficou 14 meses no cargo. Ele acumulou desavenças com reitores, estudantes, parlamentares e com o Supremo Tribunal Federal (STF). Por chamar ministros da Corte de "vagabundos" e dizer que "colocaria todos na cadeia", Weintraub foi incluído no inquérito das fake news.

O agora ex-ministro foi exonerado no sábado, 20, após desembarcar nos Estados Unidos, onde espera assumir cargo no Banco Mundial.  Aliados do ex-ministro indicam, nas redes sociais, que o presidente o enviou para fora do País para desviar de uma ordem de prisão do STF.

O secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, chegou a ser cotado ao comando da Educação. Seguidor do escritor Olavo de Carvalho, “guru do bolsonarismo”, Nadalim teria saído do radar de possíveis ministros pela falta de experiência e por suas ligações com o site Brasil sem Medo, que faz ataques ao Supremo.

Feder é administrador de empresas e mestre em economia. Ele foi CEO da empresa de tecnologia Multilaser, cargo que deixou para entrar no governo paranaense. Segundo o site da secretaria de Educação paranaense, ele também deu aulas de matemática por uma década.

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