Secretário de Alckmin rebate Cardozo

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Silveira, rebateu neste domingo, 09, as declarações feita ao Grupo Estado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, de que o governador Geraldo Alckmin politiza a questão da segurança. O ministro se referia à insistência do governador em se referir à falta do controle do governo federal sobre as fronteiras para explicar os problemas da violência em São Paulo.

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

10 Junho 2013 | 09h01

"Respeito muito o ministro, mas há um equívoco no que ele falou. Não há nenhuma politização", disse Grella. "A realidade é que temos problemas com drogas no Brasil, que virou o paraíso do crack. E nós sabemos que a cocaína, da qual o crack é um subproduto, não é feita aqui no Brasil."

O equívoco do ministro, segundo o secretário, também reside no fato de não ter mencionado ações conjuntas que são desenvolvidas entre o Estado e o governo federal. "Temos a Agência de Atuação Integrada, cuja sede física fica na Secretaria de Segurança. Dessa agência participam a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias civil e militar e o Ministério Público."

Sobre a piora em alguns índices de violência, especialmente o de latrocínio, que registrou em abril, na capital, um aumento de 56% em relação ao mesmo mês do ano passado, o secretário disse: "É inegável que há uma relação de muitos crimes violentos com drogas. Temos visto latrocínios cometidos por pessoas que são consumidores de drogas. É evidente que são muitos os fatores que explicam a violência e a droga, embora não seja o único, é um deles."

Indago se as drogas também teriam relação com os arrastões que se verificam na cidade, afirmou: "Não é só isso, mas tem relação."

Sobre a declaração do ministro ao Grupo Estado de que seria preciso "coragem política" para se enfrentar a questão da violência a partir do que ocorre nos presídios, o secretário também disse que é equivocada. "A segurança aqui está atenta a estes aspectos e tem atuado em várias frentes".

Ele mencionou que o governo estadual está se preparando para instalar bloqueadores de celulares nos presídios, entre outras ações.

Na entrevista ao Grupo Estado, Cardozo atribuiu as críticas ao governo federal a interesses eleitorais. "Em junho de 2011 lançamos o Plano Estratégico de Fronteiras e temos observado resultado muito positivos", disse. "Querer atribuir a subida da violência em São Paulo a algo que está melhorando é querer se isentar de um problema sobre o qual poderíamos pensar em conjunto, sem politizar nem jogar responsabilidade para o outro." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais conteúdo sobre:
SEGURANÇA CARDOZO GRELLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.