Secretário de Alckmin rebate acusações de ex-diretor da Siemens

Jurandir Fernandes (Transportes) diz ser 'natural' lobista dizer que tem relacionamento com membros do governo

Carla Araújo, da Agência Estado

21 de novembro de 2013 | 13h33

São Paulo - O secretário estadual de Transportes, Jurandir Fernandes, disse nesta quinta-feira, 21, que as acusações contidas em relatório entregue no dia 17 de abril ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), como revelou o Estado, "é assunto já explorado". Segundo ele, é "até natural" um lobista querer falar que mantém bons relacionamentos com auxiliares do governo do Estado.

O Estado mostrou que o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer enviou relatório ao Cade em que afirma possuir documentos que comprovam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM". Trata-se do primeiro documento oficial que vem a público que faz referência a supostas propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos.

O relatório cita Fernandes como sendo um dos políticos que tiveram seus nomes mencionados pelo diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira. Segundo depoimento do ex-executivo, o empresário citou os nomes do deputado licenciado Edson Aparecido (PSD) e Arnaldo Jardim (PPS) como beneficiários de propinas. Outros citados, entre eles Jurandir Fernandes, seriam próximos do empresário.

Os outros políticos citados no documento são o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), os secretários estadual José Aníbal (Energia), e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico). De Aloysio, Jurandir e Garcia, ex-diretor da Siemens diz ter tido "a oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com estes políticos".

O ex-diretor da empresa alemã diz que Aparecido, atual homem forte do governo Geraldo Alckmin (PSDB)e secretário da Casa Civil, foi apontado pelo lobista Arthur Teixeira como recebedor de propina das multinacionais suspeitas de participar do cartel dos trens em São Paulo entre os anos de 1998 e 2008.

"Este assunto já foi bastante explorado. Este documento é de abril. Eu conheço o cidadão Arthur Teixeira, estive com ele três vezes nestes 35 meses de governo, mas minha relação foi e tem sido totalmente profissional", disse Fernandes na tarde desta quinta-feira.

Segundo o secretário, é "até natural" um lobista querer falar que mantém bons relacionamentos com secretários. "Estou assegurado com os documentos que eu tenho", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
Siemenscartelpolíticossecratário

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.