Secretário da Presidência nega influência de Dantas no governo

Para Luiz Dulci, se houvesse interferência, sócio-fundador do banco Opportunity não teria sido preso pela PF

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

15 de julho de 2008 | 11h54

O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, defendeu nesta terça-feira, 15, o governo federal das acusações de suposta influência do controlador do banco Opportunitty, Daniel Dantas, em suas decisões. "Pelo contrário, se houvesse influência, a pessoa (Dantas) não teria sido presa", declarou Dulci, ao comentar a conversa telefônica entre o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e o advogado e ex-deputado petista Luís Eduardo Greenhalgh, contratado pelo banqueiro.   Veja também: Mendes diz que Tarso não tem 'competência para julgar' sua decisão Senado vai barrar pedido de impeachment de Mendes Impeachment não tem cabimento, diz presidente do STF Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas   No contato, gravado pela Polícia Federal, Greenhalgh, identificado como "Gomes", pediu a Gilberto que checasse informações sobre a investigação. "É óbvio que qualquer pessoa, quando recebe ligação, atende. É da rotina. O contrário é que seria absurdo. Se alguém liga para o governo, ainda mais sendo uma pessoa conhecida, e não se atende...".   Dulci disse que o caso foi um dos "vários assuntos" tratados na reunião da coordenação de governo, na segunda-feira. Ele afirmou que não ouviu, no encontro, o presidente usar a palavra "abusiva" para classificar a ação da Polícia Federal. E defendeu o trabalho da PF. "Não vi o presidente usar essa palavra. A Polícia está agindo de acordo com a lei, cumprindo autorização judicial e fazendo o que deve fazer." Ele ressalvou porém que o presidente sempre se manifestou contra exageros e contra o que chamou de "espetacularização do cumprimento da lei". "Mas ele (Lula) nunca se manifestou contrário ao fato de a Polícia cumprir a lei."   Segundo ele, Lula já se manifestou várias vezes no sentido de que a Polícia deve cumprir a lei e disse que a corporação faz um trabalho muito importante para a democracia brasileira, no exercício de suas funções legais, combatendo o crime e a corrupção, e deve fazê-lo com sobriedade e discrição.   Dulci também não quis opinar sobre as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de crítica ao ministro da Justiça, Tarso Genro - segundo Mendes, Tarso (que é advogado) não teria competência para opinar sobre os habeas corpus que ele (Mendes) concedeu para libertar Dantas, que fora preso duas vezes pela PF.   "Não costumo opinar sobre outros poderes", disse Dulci. "As coisas seguem normalmente, a PF prossegue o seu trabalho, o Judiciário o seu, e o governo trabalha. Não cabe ao Poder Executivo priorizar uma questão que não é da sua alçada." Dulci participou nessa manhã do Encontro com o Mercosul, que reuniu parlamentares, empresários e representantes do governo na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

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