Secretário critica atraso da Força-Tarefa no Rio

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Roberto Aguiar, criticou a lentidão na implantação da Força-Tarefa contra a criminalidade no Rio e pediu ao governo federal que as ações não sejam prejudicadas por causa da troca de comando no Ministério da Justiça.Segundo o secretário, quase dois meses depois do anúncio da medida, o delegado da Polícia Federal Getúlio Bezerra, coordenador da Força-Tarefa, ainda não entrou em contato com ele. "O ritmo está um pouco lento, poderia haver menos discurso e mais ação", disse Aguiar.O secretário afirmou que "sob o ponto de vista prático, a Força-Tarefa ainda nem chegou aqui". "Infelizmente, até agora não recebi nenhum ofício, nenhum pedido de reunião. Para ele (Getúlio Bezerra) terminar o plano estratégico, terá que conversar comigo, senão será um documento abstrato. Acho que ele é uma pessoa muito ocupada", ironizou.O Estado afirma que não recebeu o pessoal necessário para implementar das medidas acordadas com o governo federal e nem os equipamentos necessários para maior eficácia nas investigações. Aguiar ressaltou que o Rio já tem uma força-tarefa informal, referindo-se ao trabalho conjunto das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal. Delegacia especializadaO secretário anunciou a criação de uma delegacia especializada para investigar o desaparecimento de pessoas assassinadas pelo tráfico de drogas e enterradas em cemitérios clandestinos. Um laboratório capaz de realizar exames de DNA também será criado, para que a própria polícia possa identificar as vítimas dos bandidos.Os equipamentos já estão sendo licitados e os policiais estão recebendo treinamento. Tanto a delegacia quanto o laboratório devem estar funcionando até o fim do ano, garantiu o secretário. A primeira ação da nova unidade policial será investigar o cemitério clandestino da Favela da Grota, na zona norte do Rio, onde o jornalista Tim Lopes foi assassinado e enterrado.O trabalho contará com o apoio de arqueólogos. O secretário de Segurança Pública disse que o próximo concurso da Polícia Civil já abrirá vagas para profissionais dessa área. A delegacia vai cuidar também de outros casos de desaparecidos. Segundo Roberto Aguiar, o governo já captou recursos para a criação do laboratório de DNA, que será vinculado à Polícia Técnica.Ele relatou que o governo paga hoje R$ 6 mil por exame de DNA num fragmento - como uma parte da costela de Tim Lopes encontrada na Grota, analisada pelo laboratório Sonda, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - e mais R$ 500 para comparar o resultado com o material retirado de um parente da vítima.Um laboratório similar já foi montado em Brasília, onde Aguiar foi secretário de Segurança. Em relação ao cemitério clandestino da Grota, o secretário disse que a identificação dos corpos lá enterrados só deverá ser finalizada em cinco anos. "É um trabalho de investigação muito grande. Nós precisamos procurar familiares de possíveis vítimas e fazer exame de DNA em todo mundo." Foram retirados 200 fragmentos de ossos, mas somente o material genético de Tim Lopes foi identificado até agora.

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