Secretaria-Geral da Presidência pode ser fortalecida na gestão Dilma

Projeto ganhou força em razão dos escândalos envolvendo a Casa Civil, que acabaram derrubando os ex-ministros José Dirceu e Erenice Guerra

Gustavo Porto e Gustavo Uribe, Agência Estado

12 de novembro de 2010 | 20h36

SÃO PAULO - Pouco disputada nos governos anteriores, a Secretaria-Geral da Presidência da República vem se tornando nos últimos dias objeto de cobiça dos petistas, que vislumbram a possibilidade da pasta passar da condição de coadjuvante para protagonista na gestão de Dilma Rousseff (PT) à frente do Palácio do Planalto. Tudo porque vem ganhando força nos últimos dias, entre membros da equipe de transição, um projeto do órgão ser alçado ao posto de ministério, substituindo a Casa Civil como principal vitrine da administração federal.

 

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Casa Civil ganhou notoriedade ao abrigar um dos homens fortes do PT, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Contudo, os escândalos envolvendo o ex-ministro e, posteriormente, a sucessora da presidente eleita Dilma Rousseff no cargo, Erenice Guerra, transformaram a pasta no órgão mais polêmico da administração federal. Na gestão Dilma, a Casa Civil deve ter seus poderes esvaziados, correndo o risco de até mesmo ser transformada no que é hoje a Secretaria-Geral da Presidência.

 

Ouvidas pela Agência Estado, lideranças do PT e pessoas próximas à presidente eleita ponderam, contudo, que o novo ministério não terá os mesmos poderes da Casa Civil. A mudança tem como intuito diminuir o tamanho da pasta que cacifou a petista à Presidência da República, tirando-lhe atribuições que, na opinião de Dilma Rousseff, não cabem à Casa Civil desempenhar. Na condição de ministério, a Secretaria-Geral da Presidência ficaria responsável pelas principais iniciativas do governo federal, como a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O novo ministério seguiria com funções executadas pelo órgão, como articular políticas do governo federal e intermediar o diálogo com governadores e prefeitos.

 

A criação de um importante ministério tem sido vista por lideranças do PT como a oportunidade de acomodar políticos considerados peças-chave no processo de transição. Dois deles são o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT) e o ex-ministro Antônio Palocci (PT), que enfrenta oposição de petistas para a vaga na Casa Civil. Para a nova pasta, a indicação teria viés político, enquanto o escolhido para a Casa Civil teria perfil técnico, como seria desejo tanto de Dilma como de Lula. Algumas lideranças do PT apontam, contudo, que o presidente tem defendido nos bastidores o nome do atual secretário Gilberto Carvalho, que atuaria como os olhos de Lula no governo federal.

 

Dilma Rousseff terá neste sábado um encontro com seus principais auxiliares de campanha, em São Paulo, para ouvir como foram as negociações com os partidos aliados por cargos no futuro governo. Além de Palocci, participarão do encontro José Eduardo Dutra e o deputado federal José Eduardo Cardozo.

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