Secretaria de Segurança do Rio vive nova crise

A denúncia de que o subsecretário de Segurança do Rio, coronel Lenine de Freitas, receberia propina de Celsinho da Vila Vintém, traficante mais procurado do Estado, detonou nova crise na cúpula da Segurança Pública. Na noite de quinta, o secretário Josias Quintal afirmou que Freitas seria afastado imediatamente. Hoje afirmou que o subsecretário foi vítima de um complô. Para Josias, a Defensoria Pública errou ao não comunicar a denúncia imediatamente à Corregedoria do Estado, órgão que investiga policiais.A denúncia surgiu na quarta-feira passada, quando um rapaz de 18 anos, ligado ao tráfico e há 20 dias sob a custódia da Defensoria Pública, acusou Freitas diante de defensores e do subsecretário de Inteligência, Nelcy de Freitas. O jovem, que diz ter sido tesoureiro de Celsinho e não foi identificado, declarou que o subsecretário receberia R$ 5 mil por semana para repassar informações à quadrilha. "Eu dava propina para o coronel Lenine. O pessoal todinho da equipe dele era envolvido na situação. Não tem como ele negar".O subsecretário, segundo a denúncia, teria feito diversos contatos telefônicos com Celsinho. O rapaz citou ainda o major Dilo, ex-homem de confiança de Lenine de Freitas, preso por extorsão, e disse ter pago pessoalmente R$ 2 mil ao subsecretário, no 16º andar do prédio da Secretaria de Segurança Pública. Lenine admitiu que o rapaz foi levado até ele, meses atrás, mas para dar informações sobre o tráfico.Quem acabou exonerado foi o coronel Valmir Alves Brum, da Ouvidoria, que afirmou ter agido sob ordens do ouvidor da polícia, Mário Lúcio de Andrade Neves. O subsecretário questionou o fato de o denunciante, chamado por ele de "imbecil" e "desclassificado", ter passado 20 dias em poder da Defensoria e da Inteligência, no mesmo hotel em que esteve Wagner dos Santos, sobrevivente da chacina da Candelária e cliente da advogada Cristina Leonardo, que também denunciou Lenine. Caça-níqueis - O subsecretário relacionou a denúncia à sua atuação na repressão às máquinas caça-níqueis, operadas pela família do falecido bicheiro Castor de Andrade, aos quais Celsinho seria ligado. Lembrou também que a secretaria afastou 500 policiais, incluindo o comandante, do 14º Batalhão da PM (Bangu), muitos dos quais, segundo o próprio subsecretário, dariam proteção a Celsinho. Ele classificou Brum como "desastrado", " trapalhão" e "desequilibrado", e acusou Cristina de ter procurado uma alta autoridade do governo para pedir que o coronel Brum fosse nomeado comandante-geral da Polícia Militar.

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