Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos

Despesas de viagem com o cartão corporativo de Matilde atingiram R$ 171,5 mil, quase 7 vezes mais que o segundo, Altemir Gregolin

Sônia Filgueiras, O Estadao de S.Paulo

12 Janeiro 2008 | 00h00

Cinco integrantes do primeiro escalão do governo utilizaram os cartões corporativos para pagar despesas de viagem no ano passado. Matilde Ribeiro, secretária de especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, liderou as despesas, com gastos de R$ 14,3 mil mensais em média, mais do que seu salário mensal, de R$ 10,7 mil.Em 2007, Matilde pagou R$ 171,5 mil em despesas de viagem com o cartão corporativo. Os gastos da ministra incluíram hotéis, restaurantes e aluguéis de carros, que responderam pela fatia mais pesada da fatura: R$ 121,9 mil, sempre pagos à mesma empresa de locação de veículos. Em 2006, suas despesas no cartão somaram R$ 55,5 mil. Não foram maiores porque ela recebeu o cartão em julho.As despesas de Matilde foram quase sete vezes mais elevadas do que as do segundo colocado da lista, o secretário especial de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, que gastou no ano passado R$ 22,6 mil, também com despesas de viagem. O terceiro da lista é o ministro dos Esportes, Orlando Silva, com R$ 20 mil. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, registrou os gastos mais modestos: R$ 2,4 mil.A assessoria de Matilde informa que no ano passado houve necessidade de intensificar a relação com os novos governos estaduais e rediscutir políticas de promoção da igualdade racial. Por isso, alega que foi obrigada a viajar mais.Também diz que todas as suas despesas de viagem são integralmente feitas no cartão e, por não ter estrutura nos Estados, como escritórios, carros oficiais e motoristas, as despesas com deslocamentos se elevam. A secretaria usa os serviços da mesma locadora por ter "desempenho satisfatório pelo constante atendimento a autoridades, ofertando equipe qualificada em segurança e amplitude dos serviços em todo o território nacional". Mas não há contrato permanente com a empresa.Já Altemir Gregolin registra despesas baixas com o aluguel de automóveis porque, segundo sua assessoria, além dos quatro escritórios que a secretaria possui nos Estados com carros e motoristas, o secretário sempre pede às autoridades estaduais que visita a cessão de um carro oficial e um ajudante de ordens.Orlando Silva viajou menos que Matilde e, nas viagens que fez, não gastou com aluguel de automóveis, mas, em alguns casos, usou o cartão para pequenas despesas de táxi. Segundo sua assessoria, o ministério preferiu contratar em concorrência pública uma empresa transportadora para atender toda a pasta, inclusive os deslocamentos do ministro quando está fora de Brasília.O contrato prevê a cobrança de diárias, quando o carro, com motorista, é disponibilizado. Em alguns casos, Silva opta pelo táxi para economizar. Por exemplo, nos casos em que no dia seguinte à agenda sairá do hotel diretamente para o aeroporto, é mais barato pagar uma corrida de táxi do que a diária do automóvel.No caso do ministro dos Esportes, os gastos mais elevados estão nas contas de restaurante. Durante os Jogos Pan-americanos, Orlando Silva chegou a pagar R$ 436,90 em um restaurante. Há outras duas faturas de despesas com alimentação de R$ 200 e R$ 352. "Em alguns casos, quando em cumprimento de sua agenda oficial, o ministro, acompanhado por dirigentes esportivos, autoridades federais, estaduais e municipais, tem suas despesas com alimentação pagas por aquelas autoridades. Esporadicamente, a juízo do titular desta pasta, como forma de retribuição, ocorre o inverso", informou, por escrito, a assessoria de Orlando Silva.

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