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Secom critica Marcelo Adnet por paródia de campanha do governo

Humorista satirizou filme publicitário estrelado pelo secretário especial de Cultura, Mário Frias

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 16h58

BRASÍLIA - A Secretaria Especial de Comunicação (Secom) da Presidência usou o Twitter neste sábado, 5, para chamar de "maldosas" as reações sobre a campanha do governo "Um povo heroico", lançada nesta semana pelas comemorações do 7 de Setembro, data da independência do Brasil. A peça foi satirizada pelo ator e humorista Marcelo Adnet nesta sexta-feira, 4. Junto a um registro do vídeo de Adnet, a Secom afirmou que "há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros".

A campanha do governo, que traz uma série de homenagens a "heróis brasileiros", é estrelada pelo secretário especial de Cultura, o ator Mário Frias.

"Erramos. Acreditamos que seria possível unir todo o País em torno de bons valores e de bons exemplos. Afinal, ninguém é contra a bondade, o amor ao próximo, o sacrifício por inocentes, certo? Errado!", escreveu o perfil da Secom no Twitter. O humorista respondeu ao órgão na rede social. Segundo ele, "em vez de trabalhar", o governo prefere perseguir seus próprios cidadãos.

No vídeo, além de satirizar a campanha do Planalto, Adnet também fez paródias das figuras do presidente Jair Bolsonaro, do advogado Frederick Wassef, e do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, investigado no inquérito das supostas 'rachadinhas' na Assembleia Legislativa do Rio, ironizando a relação entre eles. Wassef defendeu Flávio Bolsonaro no caso.

"Não imaginamos que honrar um morador de rua que salvou uma desconhecida ou uma professora que morreu queimada para salvar dezenas de crianças causaria reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos", disse a Secom, que se manifestou ao longo de oito postagens no Twitter.

"De que adianta afetar bons sentimentos, falar em defesa do povo e coisas do tipo, mas na prática desprezar as pessoas reais, de carne e osso, que são exemplos para todos? De que adianta gritar que ama a humanidade, mas desprezar o ser humano?", questionou o órgão.

Na campanha "Um povo heroico", o governo afirma que a história brasileira, "tão bela", foi "desprezada e vilipendiada por anos de destruição da identidade nacional". "O Brasil tem História. Uma História com verdadeiros líderes, respeitados intelectuais e grandes heróis nacionais. Alguns, conhecidos; muitos, ignorados. Uma História tão bela e grandiosa quanto desprezada e vilipendiada por anos de destruição da identidade nacional", afirma.

O secretário de Cultura já havia mostrado irritação com a paródia de Adnet nesta sexta-feira, 4. Em publicação no Instagram, com uma foto do humorista, Frias o chamou de "frouxo e sem futuro".

'Mimimi'. Em resposta à publicação da Secom, Adnet afirmou que a crítica em seu vídeo não foi direcionada ao povo, mas ao governo federal, que, para ele, "em vez de trabalhar prefere perseguir seus próprios cidadãos". O humorista ainda rebateu a secretária afirmando que a gestão Bolsonaro se elegeu sob a bandeira do "fim do mimimi e do politicamente correto", mas não aguenta uma "sátira".

"Aos fatos: 1-se elegeram sob a bandeira do fim do mimimi e do politicamente correto mas não aguentam UMA SÁTIRA que vem chorar em perfil oficial! 2-A crítica não é ao povo, não força a barra. É AO GOVERNO FEDERAL que em vez de trabalhar prefere perseguir seus próprios cidadãos", escreveu o ator.

 

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