Seca volta a castigar Estados do Nordeste

Apenas no Piauí, 137 de seus 223 municípios decretaram emergência

Moacir Assunção, Luciano Coelho, Ângela Lacerda, Solange Spigliatti, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

Boa parte do Nordeste voltou a enfrentar o fenômeno da estiagem prolongada. No Piauí, no Ceará, em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, 299 municípios do semi-árido estão sendo atendidos com carros-pipa por conta da falta de chuvas. O Ceará tem 101 de suas cidades afetadas. A Paraíba soma 91. Até mesmo em Minas e no Tocantins há problemas. Em Minas, 57 cidades decretaram estado de emergência por conta da falta de chuvas e quebra da safra agrícola.Dos 223 municípios do Piauí, 137 decretaram emergência por conta da falta de água e perda da safra. A população tem sido socorrida com carros-pipa e cestas de alimentos. Antes, o atendimento no Estado era feito pelo Exército, mas agora será assumido pela Secretaria Estadual de Defesa Civil. O governo federal liberou R$ 14 milhões, na semana passada, para atender os municípios nordestinos afetados pela seca, mas apenas dois do Piauí foram beneficiados com os recursos. O diretor de programas especiais da Defesa Civil, James Silva, disse que nenhuma verba para os municípios em emergência foi liberada até agora. "Nem para poços, nem para carro-pipa", disse.O secretário nacional de Defesa Civil, órgão do Ministério da Integração Nacional, Roberto Guimarães, disse que o Piauí queria administrar os carros-pipa, mas ainda não tinha estrutura para isso. "Diante do quadro, vamos atender a população do Estado até que ele se estruture para fazer o trabalho."Os líderes políticos alegam que se passaram 60 dias da visita do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que prometeu a liberação dos recursos para combater a seca, sem que tenha havido qualquer solução. Em Pernambuco, já chega a 378 mil pessoas em 44 municípios o número de prejudicados pela estiagem. De acordo com dados do governo estadual, 80% a 100% das safras de milho, feijão e arroz já foram perdidas em municípios situados principalmente no sertão do Araripe, do São Francisco e de Salgueiro.Diante da gravidade da situação, o Exército decidiu manter o programa que, há nove anos, distribui água potável para a população do semi-árido por meio de carros-pipa. De acordo com o coronel Marcos Aurélio Silveira, do Comando Militar do Nordeste, 580 carros-pipa foram contratados para levar água às populações atingidas. O Ministério da Integração Nacional informou que foram liberados R$ 14 milhões para a operação. Desde abril, o ministério já repassou R$ 32 milhões ao Comando Terrestre do Exército (Coter), para uso na operação. Para Guimarães, o ideal é que os carros-pipa sejam usados somente em emergências e os moradores do sertão tenham abastecimento por meio de cisternas e chafarizes. O dinheiro deve ser usado no atendimento de todos os 299 municípios que decretaram situação de emergência por causa da estiagem e foram reconhecidos pelo Ministério da Integração Nacional. O reconhecimento é a condição que habilita o município a receber os recursos federais, após a decretação e homologação por parte do Estado. A última grande estiagem havia sido em dezembro do ano passado.Em Minas, a situação também é complicada. De acordo com a Defesa Civil Estadual, dos 60 municípios atingidos pela estiagem, 57 decretaram situação de emergência. Há quatro meses não chove em algumas cidades do norte do Estado. No sul mineiro, os agricultores estão preocupados com os efeitos da estiagem na produção de café, principal produto agrícola da região.

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