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'Se Temer tivesse me ouvido, não teria dado o golpe', diz Lula

'Se Temer tivesse me ouvido, não teria dado o golpe', diz Lula

Ex-presidente afirma que tentou sensibilizar o peemedebista contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 17h30

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 28, que conversou com o presidente Michel Temer (PMDB) antes do processo de impeachment e que pediu para que ele não deixasse Dilma Rousseff (PT) ser tirada do poder durante a discussão do impedimento no Congresso. “Se o Temer tivesse me ouvido, ele não tinha dado o golpe”, afirmou Lula em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre (RS).

O petista não disse, no entanto, em que data conversou com Temer para tentar evitar o impeachment. “Eu conversei muito com o Temer, eu disse que ele não podia rasgar a biografia dele como constitucionalista. Mas, lamentavelmente, eu acho que ele não me ouviu e tomou a decisão que tomou. E eu acho muito ruim para o Brasil”, afirmou o petista.

Lula disse que não adianta Temer dizer agora que o impeachment foi feito pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato. Em recente entrevista, Temer foi questionado sobre o papel de Cunha no impedimento de Dilma e disse que os dois teriam conversado a respeito do encaminhamento na Câmara - e que Cunha dizia que arquivaria os pedidos se tivesse os votos do PT no Conselho de Ética, o que não ocorreu. “O PT tinha que votar contra o Eduardo Cunha mesmo. O problema é que o Temer é um jurista e ele sabia que era um golpe”, afirmou Lula.

Na entrevista, Lula declarou que quer novamente ser presidente da República e que não há plano B para o PT. "Se eu tinha alguma dúvida, hoje eu posso dizer: eu quero ser presidente da República outra vez. Vou pedir ao povo brasileiro o direito de votar em mim e vou tentar mostrar para eles que eu sou capaz de resolver a crise que o País vive hoje", disse.

Questionado se o PT tinha um plano B para a candidatura caso fosse inviabilizado por uma eventual condenação na Lava Jato, Lula afirmou que não há alternativa e que tem certeza que poderá ser candidato. "Para mim não tem plano B, o primeiro é plano A, o segundo é plano A. Não tenho nenhuma preocupação de ser impedido porque para você ser impedido é preciso que as pessoas tenham provas concretas e objetivas", disse.

A decisão de ser novamente candidato, afirmou Lula, veio após o "massacre irresponsável" que sofreu pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato. Ele destacou que a tentativa de condená-lo nas investigações com o objetivo de tirá-lo da disputa eleitoral o animou para a eleição.

Lava Jato. O ex-presidente afirmou que tem a certeza que será inocentado do processo em que é réu na Operação Lava Jato e sobre o qual prestará depoimento ao juiz federal Sérgio Moro no dia 10 de maio. "Eu tenho convicção, tenho certeza de que sairei desse processo inocentado porque eu sou acusado de uma série de mentiras e inverdades contadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal", falou. O petista alegou ainda que está muito tranquilo com o depoimento.

Lula afirmou que dará, no depoimento, resposta às declarações do executivo José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, que afirmou que o apartamento triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, pertencia a Lula. "Se eu der a resposta eu vou avisar para eles o que vou dizer (no depoimento)", afirmou.

O ex-presidente disse acreditar que Léo Pinheiro ficou "constrangido" no depoimento e falou "coisas que eles pediram para ele falar". Ainda, o petista afirmou que vai para Curitiba sem nenhum "ressentimento" com Pinheiro.

O petista afirmou que, se o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci fizer uma delação premiada pode prejudicar muita gente, menos ele. "Tenho certeza absoluta que o Palocci não vai fazer delação. Se fizer, ele pode contar tudo que sabe e tenho certeza que pode prejudicar muita gente, menos eu."

Greve geral. Lula afirmou na entrevista que a greve geral realizada nesta sexta, 28, em todo o País deveria mobilizar o Congresso contra as reformas do presidente Michel Temer (PMDB). O petista, no entanto, disse que os parlamentares perderam a "sensibilidade" com o povo.

"A sensibilidade política dessa gente é zero", disse Lula. Ele afirmou que as pessoas precisam olhar como estão votando os deputados em assuntos de direito dos trabalhadores. "Pode ser que o Congresso comece a mudar de comportamento e o povo passe, nas próximas eleições, a querer um Congresso mais comprometido com a sociedade brasileira, menos conservador."

Ele afirmou ainda que houve "adesão completa" da sociedade brasileira à greve geral e que o governo precisa entender que o povo não vai aceitar as mudanças na previdência, a reforma trabalhista e a regulamentação da terceirização.

 

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