Se Senado alterar CPMF, Câmara fará o mesmo, diz Chinaglia

Presidente da Câmara diz que se a proposta do tributo voltar a Casa modificada, será votada novamente

DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

17 Outubro 2007 | 14h30

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta quarta-feira, 17,  que o governo terá dificuldade em evitar, na Casa, mudanças na proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) se concordar em fazer alterações durante a tramitação do projeto no Senado.   Veja também: Governo pode enviar projeto paralelo de redução CPMF Decisão do TSE dificulta votação de CPMF no Senado Líderes marcam blitz ministerial pró-CPMF no Senado Lula cobra lealdade da base no Senado para prorrogar CPMF Governo oferece contrapartida à CPMF, diz líder do DEM Dê sua opinião sobre a CPMF  Entenda a cobrança da CPMF  O governo exigiu que sua base na Câmara aprovasse a proposta sem mudanças, mas tem acenado com concessões nas negociações para a aprovação no Senado. Caso o projeto aprovado pelos deputados seja alterado pelos senadores, a proposta de emenda constitucional volta à Câmara para nova votação.   Nesse caso, segundo Chinaglia, o governo não conseguirá evitar que outras modificações sejam feitas. "Há um sentimento na base de que na Câmara se faz o jogo duro e, no Senado, as concessões. O governo terá de pensar 20 vezes (antes de ceder)", disse Chinaglia. Ele lembrou que, durante as negociações para a votação da emenda na Câmara, os partidos aliados deixaram claro que se houvesse mudança na proposta governista ela teria de ser negociada com os deputados.       Blitz fracassada   O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), rejeitou qualquer tentativa do governo de fazer um acordo com a oposição que permita saltar prazos para acelerar a tramitação da proposta de emenda que prorroga até 2011 a CPMF na Casa. Nesta quarta-feira, 17, o governo realizou uma verdadeira blitz no Senado para discutir uma forma de acelerar a proposta, em encontro do presidente em exercício, José Alencar, com o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT) e líderes partidários.     "Eu não aconselho o presidente Lula a tentar burlar nada. Isso transformaria esta Casa num Iraque, num Afeganistão", afirmou Virgílio após a reunião. A declaração foi dada em resposta à líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), que afirmara que um acordo de líderes possibilitaria apressar a tramitação da proposta. O governo pretende aprovar até 20 de dezembro a emenda da CPMF para poder, legalmente, reiniciar sua cobrança em janeiro de 2008. O líder do PSDB, no entanto,  considerou positivo o encontro desta quarta-feira."Nós não convencemos eles, nem eles nos convenceram. De concreto, houve apenas a abertura de um processo de conversa. Um gesto simbólico, mas, ainda assim, incipiente", comentou o líder do PSDB. Ele ressaltou que, se o Palácio do Planalto não apresentar uma proposta de redução da carga tributária, o PSDB tenderá a fechar questão contra a prorrogação da CPMF.   "Se o governo entender que a CPMF tem de passar no Senado como passou na Câmara, eu recomendo que eles (governistas) continuem descendo do pedestal. Como, aliás, começaram a fazer hoje", disse Virgílio, referindo-se ao fato de Alencar e ministros terem ido ao Congresso para negociações.

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