Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Se quiser ser candidato, Serra terá de disputar as prévias, diz Tripoli

Em entrevista à TV Estadão, disputa interna entre tucanos acontece com apoio do próprio Serra e também de FHC e de Alckmin

Jair Stangler, do estadão.com.br,

12 de dezembro de 2011 | 20h16

O deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que é pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira, 12, em entrevista à TV Estadão, que se o ex-governador José Serra quiser ser o indicado do partido em 2012, terá de disputar as eleições internas. "Disputa as prévias, com certeza", afirmou.

 

De acordo com o deputado, que foi o primeiro a colocar seu nome para a disputa interna, a realização de prévias foi combinada com as principais lideranças do partido. "Eu não tenho porque desacreditar da palavra do José Serra. Primeiro, porque eu o consultei antes de me lançar pré-candidato. Tanto ele como o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique. E ele foi um dos que mais me estimulou", afirmou.

 

Ele comentou ainda a entrevista concedida na manhã desta segunda pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à rádio Estadão ESPN. Na entrevista, FHC definiu Serra como "candidato natural", mas disse acreditar que o ex-governador só entraria na disputa "com a mão de Deus". Ele também avaliou que, por enquanto, nenhum dos pré-candidatos, nem mesmo o candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad (PT), se destacou na disputa. "É tudo japonês", declarou FHC.

 

Tripoli definiu FHC como "a maior autoridade tucana". "O presidente Fernando Henrique é uma pessoa que sempre será levado em consideração, ouvido pelo partido. Mas ele, como os demais, sempre disse da importância das nossas prévias", afirmou.

 

O tucano comentou também a pequena intenção de votos que os quatro pré-candidatos tucanos e o ministro Fernando Haddad receberam na pesquisa Datafolha divulgada no domingo, 11. Segundo o levantamento, Haddad tem em torno de 3% a 4% das intenções de voto. Entre os pré-candidatos do PSDB, o mais bem posicionado, entre os vários cenários, é o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas, que aparece com 6%. O secretário estadual de Energia, José Aníbal, tem 3%, enquanto Tripoli e o secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, têm 2% cada um. 

 

Para Tripoli, isso não é tão importante neste momento. "Os quatro pré-candidatos do PSDB estão em uma campanha interna. O filiado do partido é que vai escolher o próximo candidato a prefeito. Nós ainda não fomos para a grande mídia, onde os candidatos estão todos expostos. Não é um índice grande, mas é um índice que mostra que estamos na disputa", disse. "O PSDB unido terá muito mais força do que mostra hoje a pesquisa", acrescentou. Ele acredita que quando a campanha estiver na rua, o nome que for tende a crescer.

 

Questionado se a rejeição identificada em relação a José Serra (35%) não seria também uma rejeição ao modo tucano de governar, Tripoli disse que isso ocorre porque o ex-governador. "A Marta (Suplicy, que já foi prefeita de São Paulo) tem índices altos de rejeição, candidatos novos tem rejeição baixa porque ainda não foram para a disputa. A hora que você vai para a disputa tem ganhos e perdas", avaliou. 

 

Tripoli comentou também a possibilidade de transferência de votos de Lula para Haddad - 48% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que pretendem votar no candidato apoiado por Lula. "É um detalhe a ser levado em consideração. Mas aqui na cidade de São Paulo, o paulistano não tem esse estilo, que ocorre em outras cidades. O paulistano sempre foi muito temeroso, muito delicado na escolha do candidato. Sempre preferiu escolher aquele que tem o melhor perfil, que esteja próximo ao governo do Estado e também com o governo federal. A transferência em São Paulo nem sempre ocorre. Nas últimas eleições pra presidente, o PSDB ganhou na cidade de São Paulo", lembrou.

 

O deputado disse ainda avaliar como "muito boa" a possibilidade de construir uma aliança entre seu partido e o prefeito Gilberto Kassab (PSD), mas descartou a hipótese de seu partido ocupar a posição de vice na chapa. "Não tem como. A militância, o filiado do PSDB não aceita essa tese", disse.

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