Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Se o PT quiser, serei candidato à Presidência, aconteça o que acontecer', diz Lula

Ex-presidente afirma que está tranquilo quanto ao julgamento no próximo dia 24; se tiver a condenação confirmada, ele poderá ficar inelegível pela lei da Ficha Limpa

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 01h22

SÃO PAULO - A seis dias do julgamento em segunda instância que poderá torná-lo inelegível, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 18, que pretende sair candidato à Presidência "aconteça o que acontecer".

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Em discurso durante ato de artistas e intelectuais em seu apoio, em São Paulo, o petista voltou a acusar seus adversários de quererem criminalizar o PT. "Quero que o PT me indique à Presidência. Se não for como candidato, serei como cabo eleitoral. Se o PT quiser, estarei como candidato à Presidência, aconteça o que acontecer", disse.

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Condenado em primeira instância no âmbito da Lava Jato, Lula terá recurso julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no dia 24, em Porto Alegre, no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Segundo a Justiça, o apartamento teve a reforma paga pela empreiteira OAS, que recebeu em troca vantagens indevidas. Se tiver a condenação confirmada, Lula poderá ficar inelegível pela lei da Ficha Limpa. Sobre o julgamento, Lula disse estar "tranquilo" e "com a consciência limpa". "Mesmo se acontecer a condenação, vocês verão que eu continuarei tranquilo. A minha tranquilidade vai infernizar a vida deles."

O ex-presidente voltou a criticar os membros da força-tarefa da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro pela forma como atuaram em seu caso, dizendo que eles inventaram uma "mentira" e que agora "não conseguem voltar atrás". O petista afirmou ainda que seu julgamento virou uma questão de "soberania nacional".

"Os delegados da Lava Jato mentiram. Mentiu o Ministério Publico quando fez a acusação e mentiu o juiz Sérgio Moro quando me condenou (...) Como é que eles vão dizer agora que eu não tenho um tríplex?", questionou. Lula disse que sempre acreditou na democracia, mas que agora entende que existem dois tipos dela: uma "democracia formal" e a "democracia que queremos".

"O que está em jogo neste instante é algo mais forte que eu, é a soberania nacional. Eles querem fazer com que esse País volte a ter complexo de vira-lata", disse o petista, retomando o discurso de que os governos não petistas trabalharam para vender o patrimônio nacional e manter a desigualdade no País. "Igualdade (para eles) é uma palavra com forte conteúdo e pouca praticidade."

O petista ainda enumerou as realizações de seu governo e disse que, apesar de tudo, o brasileiro "aprendeu que é bom ter direito" e "a andar de cabeca erguida". 

Criminalização. Participaram do ato de apoio a Lula, entre outros nomes, os músicos Odair José, Thaíde, Ana Cañas, Raquel Virgínia, Assucena Assucena e Edgar Scandurra, os atores Celso Frateschi e Aílton Graça, a cineasta Laís Bodanzky, os urbanistas Raquel Rolnik e Nabil Bonduki, o jurista Fábio Konder Comparato, o escritor Raduan Nassar e a mulher do falecido educador Paulo Freire, Nita Freire.

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Repetindo o discurso de terça-feira, quando participou de ato semelhante no Rio, Lula disse que o PT está sob ataque. "Venho falando desde 2014 que eles querem criminalizar o PT. Como não podiam mais dar um golpe, venderam a ideia que o Brasil tinha uma doença, e essa doença era o PT. Falaram tanto que anestesiaram a sociedade", disse o ex-presidente a uma plateia que lotou o salão da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo. A derrocada de Dilma Rousseff, segundo ele, foi uma "cirurgia" feita depois dessa anestesia.

Lula disse ainda que o partido não soube reagir a esse ataque de início, mas que agora está se recuperando. Citou como exemplo o enfrentamento da reforma trabalhista, a qual criticou, afirmando que ela vai "tirar do trabalhador mais pobre".

Além dos artistas, participaram do ato diversos políticos, entre eles a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ex-chanceler Celso Amorim, o ex-senador Aloizio Mercadante, os ex-ministros Alexandre Padilha (Saúde), Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e Paulo Vannuchi (Direito Humanos) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.

"Neste momento não há dúvidas que defender Lula é defender a democracia no Brasil", disse Boulos, que é cotado para concorrer à Presidência pelo PSOL. "O papel de quem é de esquerda, concorde ou não com o presidente Lula, é defender seu direito de participar dessa eleição."

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