Se não houver traição, Michel Temer deve ser eleito

Na véspera da eleição para a presidência da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) mantinha-se ontem como o favorito na disputa. A expectativa de seus correligionários é que o peemedebista, que já comandou a Câmara por duas vezes (entre 1997 e 2000), seja eleito hoje com cerca de 350 votos. Temer passou o dia de ontem em uma maratona de reuniões, tentando consolidar os votos entre os deputados de 14 partidos que apoiam sua candidatura. Os outros candidatos à presidência, Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), também usaram o último dia para buscar votos. Osmar Serraglio (PMDB-PR), até então candidato, desistiu ontem do embate. "Estou tranquilo. Traição é uma palavra que não se deve usar aqui. Vamos falar de fidelidade", disse Temer, logo após reunião com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e o presidente do PTB, Roberto Jefferson."Todas as candidaturas são da base. Por isso é preciso ter cuidado para não macular a relação com outros companheiros. É preciso providências e ações para que essas coisas não sejam maximizadas. Precaução é a palavra de ordem", observou o ministro, ao admitir que a eleição deixará "sequelas". Múcio afirmou ainda que o "melhor" é Temer ganhar a eleição no primeiro turno. Na tentativa de reduzir possíveis reflexos do resultado da eleição do Senado na Câmara, os líderes decidiram antecipar o horário da eleição para as 10 horas - a previsão inicial era que a disputa na Câmara começasse ao meio dia. Com isso, as eleições na Câmara e no Senado ocorrerão ao mesmo tempo. "Isso é uma demonstração clara de que estão com receio, com medo", disse Aldo Rebelo, que foi pessoalmente ao gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reclamar da mudança. "Não estamos com medo da eleição no Senado. Apenas houve um acordo de procedimentos entre os líderes", rebateu o líder do PT, deputado Maurício Rands (PE).Uma das preocupações dos integrantes do bloco de partidos que apoiam a candidatura de Temer é com as possíveis traições entre os aliados. Mas o líderes partidários garantiram ontem que as dissidências serão mínimas, permitindo que Temer vença com uma ampla margem de votos.Temer almoçou na casa do líder do PR, deputado Luciano Castro (RR), e participou das reuniões das bancadas do PT, PSDB, DEM, além de se encontrar com os deputados da frente evangélica. Recebeu ainda a garantia do voto em sua candidatura dos deputados Dr. Rosinha (PT-PR) e Domingos Dutra (PT-MA), que ameaçaram votar contra ele. Líderes dos 14 partidos que apoiam Temer passaram o dia tentando demover aliados a não se enfrentar na disputa pelos outros oito cargos da Mesa Diretora. Pelo menos em dois casos houve desistências.

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