Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

'Se for para ter eleição indireta, Temer tem mais legitimidade', diz o petista Jaques Wagner

Defensor de eleições diretas, ex-ministro da Casa Civil afirma que o País não é parlamentarista para trocar de presidente de 'seis em seis meses'

Ricardo Galhardo, enviado especial, e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 21h19

BRASÍLIA - Defensor da realização de eleições diretas com mandato excepcional de cinco anos em caso de vacância na Presidência da República, o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner (PT) disse nesta quinta-feira, 1, ao chegar para o 6.º Congresso Nacional do PT, em Brasília, que o presidente Michel Temer tem mais legitimidade para continuar no cargo do que qualquer nome escolhido em uma eventual eleição indireta. 

"Se for para ter eleição indireta, o Temer tem mais legitimidade do que qualquer outro porque, querendo ou não, ele estava na linha sucessória da Presidência", disse o ex-ministro."Ele era vice. É lógico que traiu a Dilma, mas era vice". completou. 

Segundo ele, no Brasil não vigora um regime parlamentarista para trocar de presidente "de seis em seis meses" por conta da impopularidade do chefe de Estado.

"Estamos brincando com coisas com as quais não podemos brincar. A briga política é fundamental para oxigenar a democracia, mas não pode asfixiar o País. Quando a democracia vira uma questão de conveniência, a gente está mal", disse Wagner. 

Para o ex-governador da Bahia, o critério para derrubar um presidente não pode ser "um corte moralista". Segundo ele, o pior cenário para o País é o de instabilidade e imprevisibilidade. "Como é que eu vou conversar com um investidor estrangeiro que pergunta quem vai ser o presidente daqui a 15 dias?", questionou. 

Apesar disso, Wagner acredita que Temer não será derrubado rapidamente. "A gente está fazendo um monte de especulações, mas antes precisa combinar com os russos. Não sabemos o que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vai decidir e um processo de impeachment é demorado", afirmou.

Diante da possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiar o julgamento da chapa Dilma-Temer, marcado para o dia 6, Wagner fez um alerta ao tribunal. 

"A maior respondabilidade do tribunal hoje é decidir. Seja o que for", disse o ex-ministro que diz ser contra a cassação da chapa, pois isso implicaria na condenação de Dilma.

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