Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

'Se foi fora da Câmara, não tenho nada a falar', diz Bolsonaro sobre denúncia contra Feliciano

O deputado federal afirmou que nada tem a ver com a vida particular de Marco Feliciano e preferiu não comentar o caso envolvendo seu correligionário

Igor Gadelha e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2016 | 17h19

BRASÍLIA - O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) evitou nesta segunda-feira, 8, comentar a denúncia contra seu correligionário e deputado Pastor Marco Felicianio (PSC-SP) por tentativas de estupro, assédio sexual e agressão feita pela a jornalista Patrícia Léllis, de 22 anos. 

"Se é vida particular dele, que tenho a ver com isso? Não estou sabendo de nada. Cuido da minha vida. Quer perguntar de mim, falo para você agora", afirmou Bolsonaro ao ser abordado pelo Broadcast Político dentro do plenário da Câmara. 

Ao ser informado do teor da denúncia, Bolsonaro, que é autor de projeto que prevê castração química como opção de pena para estupradores condenados, encerrou a conversa dizendo: "Pesado o negócio, né. Mas eu cuido da minha vida, se isso aí é fora da Câmara, não tenho nada a falar".

Na noite deste domingo, 7, Patrícia Léllis registrou boletim de ocorrência (B.O.) contra Feliciano em uma delegacia de Brasília, por tentativas de estupro, assédio sexual e agressão. Segundo o relato, o suposto crime aconteceu na manhã do dia 15 de junho, no apartamento funcional do parlamentar na capital federal. 

A jornalista já havia registrado um outro B.O. há três dias em São Paulo contra o chefe de gabinete do político, Talma Bauer. O funcionário foi detido na última sexta-feira, 5, por suspeita de manter a jovem em cárcere privado e de obrigá-la a publicar vídeos negando as acusações. Ele foi liberado no mesmo dia.

Defesa. Feliciano se defendeu das acusações por meio de suas redes sociais. Em vídeo em que aparece ao lado de sua esposa, o deputado do PSC diz ter sido alvo de ataques a sua moral. Ele prometeu apresentar provas de sua inocência e defendeu que a jornalista seja responsabilizada por falsa comunicação de crime. 

Militante do PSC Jovem, Patrícia também acusou o partido de omissão e de "passar a mão na cabeça de Feliciano". Em texto publicado no Facebook neste domingo, ela disse que a sigla "sempre soube" da denúncia, mas que pediu para que ela "ficasse calada". A legenda anunciou ontem que vai criar uma comissão interna para analisar o caso.

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