''Se fizer menos que nós, terá vida curta''

Lula repete que deixará um novo paradigma para sucessores

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Numa semana de ameaças e insultos no plenário do Senado entre aliados e opositores do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou por usar a linguagem da tropa de choque de senadores e afirmou que quem o substituir no Palácio do Planalto terá de fazer mais políticas sociais do que ele para "não ter vida curta no governo". Lula fez a declaração durante a cerimônia de encerramento de um seminário internacional promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, em Brasília. "Uma coisa que acho importante deixar como legado para quem vier depois de mim é um novo paradigma: a pessoa terá de fazer mais do que nós fizemos. Se fizer menos, terá uma vida muito curta no governo", disse.Lula reiterou que exigirá de seus ministros que registrem em cartório todas as ações realizadas por suas respectivas pastas. E repetiu que pretende transformar em lei boa parte dos programas sociais implantados durante sua administração. "Precisamos consagrar todas as políticas em uma lei para que nenhum engraçadinho venha destruir essas coisas", explicou Lula.Ainda no discurso, o presidente reclamou do fato de estar sendo processado na Justiça Eleitoral por ter afirmado, em uma viagem recente, que uma mulher seria presidente do Brasil, entregando em seguida uma flor à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ministra foi escolhida por Lula para disputar sua sucessão na corrida presidencial do ano que vem. "Se for assim, estou desgramado com a quantidade de protesto que vou enfrentar", disse Lula, no evento de ontem.A uma plateia formada na maioria por mulheres, o presidente pediu em tom de brincadeira que, "para confundir todo mundo", sempre que ele mencionar que uma mulher será presidente do País, todas digam que ele está se referindo a cada uma delas. Apesar de discursar por mais de uma hora, Lula não fez menções à crise protagonizada por Sarney no Senado. Em vez disso, preferiu dar ênfase à parte de sua política de governo que identifica como opção preferencial em favor dos pobres. "A gente não deve temer de que lado a gente está", disse. "Sei de onde vim e sei para onde vou voltar. Sei dos companheiros que fiz. Eu não tenho problema de dizer que, embora governe para todos, são os pobres que têm (minha) preferência."Ao lembrar sua origem operária, o presidente disse não se sentir mais um alvo do preconceito agora que está no governo. "Depois que eu virei o amigo do cara, as pessoas não têm mais preconceitos contra mim", discursou Lula, numa referência ao fato de o presidente americano, Barack Obama, ter elogiado sua popularidade em abril passado, durante a reunião do G20, realizada em Londres. "Este é o cara", disse Obama. "É o político mais popular do mundo."

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