Felipe Rau / Estadão
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'Se eu quisesse ser presidente, teria sido no lugar do Michel', diz Rodrigo Maia

Presidente da Câmara afirmou que não tem intenção de chegar à Presidência pela via indireta, sugerindo que não descarta disputar o cargo em uma eleição

Paula Reverbel , O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 13h57
Atualizado 17 de outubro de 2019 | 15h13

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse neste sábado, 5, que, se quisesse ser presidente por vias indiretas, teria sido no lugar do ex-presidente Michel Temer. A fala foi dita no contexto em que Maia negava que era uma espécie de primeiro-ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro. O democrata disse ainda que o mandatário não gosta dessa metáfora. 

"Se eu quisesse ter sido presidente da República, teria sido no lugar do Michel", afirmou Maia, durante o Festival Piauí de Jornalismo, que acontece neste final de semana.

Em seguida, o presidente da Câmara afirmou que não tem intenção de chegar à Presidência pela via indireta, sugerindo que não descarta disputar o cargo em uma eleição. "Voto é outra coisa", defendeu.

A fala do deputado se refere ao período de crise do governo Michel Temer.

Em 2017, o emedebista – que tinha ascendido da Vice-Presidência à Presidência – foi denunciado por corrupção duas vezes pelo então procurador da República, Rodrigo Janot, e quase caiu do cargo. Na ocasião, Maia, que já era presidente da Câmara, era o sucessor, mas não articulou pela queda.

Temer derrotou Janot na Câmara dos Deputados, nas votações que iriam determinar se ele poderia ser investigado durante sua presidência. O emedebista se manteve no cargo até o fim do mandato, quando passou a faixa a Jair Bolsonaro.

"Fui responsável (ao não derrubar Temer). Eu, como principal beneficiário, operar o Parlamento para derrubar um presidente da República, não considerei aquilo o melhor dos caminhos para o Brasil e para a estabilidade democrática", afirmou.

"Operar um processo de destituição de um presidente significa negociar o governo", acrescentou. "Não estou disposto a negociar nada. Se fosse necessário assumir o governo, se o Parlamento quisesse derrubar o presidente, era decisão dele. Se eu tivesse que ficar presidente por seis meses, eu ia, com liberdade para reconstituir o governo", concluiu.

Rodrigo Maia disse ainda que Tremer fez justamente o oposto, em 2016, na ocasião do impedimento da então presidente Dilma Rousseff. "É óbvio que o Michel operou o processo de impeachment da Dilma politicamente", constatou.

Maia disse crer que Temer tenha errado já que, em sua avaliação, Dilma teria caído sozinha. Para o deputado, ao organizar o processo de impedimento e sinalizar espaço a todos os deputados, o emedebista limitou sua capacidade de reformar o País.

"Nove de cada dez políticos comandariam a aprovação da denúncia (contra Temer). Eu acho que eu fiz exatamente o contrário, mostrei que as ambições pessoais não podem estar acima do cargo", anunciou. 

Huck e Doria

Durante o painel deste sábado, Maia disse que não faz questão de integrar uma chapa presidencial mas que quer contribuir para a formação de um governo de Centro.

Maia confirmou que esteve, na noite de sexta-feira, em um jantar com Luciano Huck e que o tema da conversa foi política e a formação de uma coalizão de Centro, mas disse que o apresentador só decidirá mais adiante se irá disputar a Presidência

Em entrevista coletiva após sua fala, o deputado, perguntado se poderia se aliar ao governador paulista João Doria (PSDB), afirmou que há todas as condições de reeditar a conhecida aliança entre democratas e tucanos, mas que ainda é muito cedo para dizer.

Crítica à nova política 

Durante o painel, Maia criticou a chamada "nova política", que se opõe a políticos tradicionais de muitos mandatos, como é o caso do deputado do DEM. 

O parlamentar brasileiro citou o presidente americano Donald Trump e o imbróglio do Brexit no Reino Unido para argumentar que proponentes da nova política implodem modelos antigos de se governar, mas não conseguem formular nada para colocar no lugar, deixando países à deriva.

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