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'Se eu não fosse inelegível, já estaria pedindo votos', diz Ciro Gomes

Ex-ministro diz que PSB deveria fazer 'um arco de alianças de centro-esquerda' e defende aliança com o PT em SP

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

19 de março de 2012 | 15h55

Impedido de se candidatar à Prefeitura de Fortaleza por ser irmão do governador Cid Gomes, o ex-ministro Ciro Gomes, integrante da executiva nacional do PSB, diz que, se não houvesse a restrição legal, apresentaria seu próprio nome para disputar a sucessão da prefeita Luizianne Lins (PT).

 

"Se eu não fosse inelegível, já estaria agarrado pedindo votos", diz Ciro, para quem o PSB, nas eleições municipais, deveria fazer uma opção por "um arco de alianças de centro-esquerda", em que casos excepcionais fossem levados ao diretório nacional.

 

Ciro, que ocupa uma das cinco vice-presidências do partido, diz não ter conhecimento de qualquer conversa do presidente do partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com os demais dirigentes para discutir as eleições deste ano. "Pelo menos eu não fui convidado", afirma. Campos tem percorrido vários Estados em negociações de alianças.

 

Na falta de nomes competitivos do PSB para disputar a Prefeitura de São Paulo, Ciro defende que os socialistas se aliem a Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação, ou ao deputado Gabriel Chalita (PMDB) e rejeita o apoio ao tucano José Serra. "Nunca achei feliz a posição dos meus queridos companheiros em São Paulo (aliados do governador tucano Geraldo Alckmin)", diz. Para Ciro, "Haddad fez um excelente ministério". Crítico frequente do comportamento do PMDB em Brasília, onde o partido lidera rebeliões contra a presidente Dilma Rousseff em busca de mais espaço no governo, o ex-ministro não vê problemas no apoio a Chalita. "Ele é respeitabilíssimo", elogia.

 

Questionado sobre documento assinado por peemedebistas que acusam o PT de tentar afastá-los do centro do poder, Ciro diz que "o tamanho da goela do PT é um dos fatores de instabilidade" do governo, mas não poupa o PMDB. "A causa é correta, mas a reivindicação é fisiológica ou potencialmente corrupta", ataca.

 

O ex-ministro também cita as pressões do PR para indicar um nome do partido do Ministério dos Transportes. "Fico corado", brinca. "O que está armado contra a presidente Dilma é uma vendeta. Ela tem que mostrar que não tem compromisso com o erro, ao primeiro sinal (de irregularidades), bota para fora. Mas tudo vira uma vingança pessoal. Tudo armado para, quando ela enfraquecer, eles virem para cima", critica.

 

Ciro diz que falta ao governo Dilma um nome forte que conquiste deputados em senadores em torno de uma "formulação estratégica". "Não tem ninguém para organizar o lado bom. A equipe dela, com todo respeito, é fraca. Não basta a pessoa ser gente boa, tem que ter força", diz Ciro.

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