Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Se eu morrer aqui, o povo saberá apontar meus algozes', diz Genoino

Petista volta a passar mal e advogados recorrem ao Supremo para que ele cumpra prisão domiciliar

Ricardo Brito, Fausto Macedo, Fernando Gallo e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2013 | 15h37

Atualizado às 18h49.

A defesa do ex-presidente do PT e deputado licenciado José Genoino pediu neste domingo, 17, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele possa cumprir sua pena em regime domiciliar. Os advogados de Genoino alegam que o pedido se baseia na precária condição de saúde do petista. Segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco, o petista "passou muito mal" e foi atendido por médico particular, providenciado pela família, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde está desde a noite de sábado, 16.

Direto do presídio, Genoino reitera que se sente um preso político. Por meio de um emissário, o ex-presidente do PT enviou manifestação de protesto contra o fato der ter sido condenado à prisão em regime semiaberto – mas, desde sexta feira, 15, quando entregou-se à Polícia Federal em São Paulo, encontra-se em regime fechado.

Ele se considera vítima de “uma farsa surreal”, referindo-se à ação penal 470, do mensalão, que culminou com 25 condenados. “Estamos presos em regime fechado, sendo que fui condenado ao semiaberto. Isso é uma grande e grave arbitrariedade, mais uma na farsa surreal que é todo esse processo, no qual fui condenado sem qualquer prova, sem um indício sequer”, disse Genoino.

O petista chama a atenção para sua saúde precária, cardíaco que é, recentemente submetido a delicada cirurgia.

“Sou preso político e estou muito doente.” Ao final de sua manifestação, José Genoino é enigmático. “Se morrer aqui, o povo livre deste País que ajudamos a construir saberá apontar os meus algozes."

Com dores no peito e falta de ar, o petista foi atendido no presídio por um cardiologista de confiança da família, que constatou que Genoino estava com a pressão alta. Foi a terceira vez que o petista passou mal desde que se apresentou à Polícia Federal em São Paulo, na noite da sexta-feira. Na própria sexta, pouco depois de entrar na superintendência, bastante ofegante enquanto aguardava a chegada do mandado de prisão na sala do delegado de plantão, Genoino pediu para descansar e foi encaminhado à carceragem, onde pôde se deitar.

No voo que levou Genoino e o ex-ministro José Dirceu a Belo Horizonte nesse sábado - uma parada antes que fossem transferidos a Brasília -, o deputado federal licenciado voltou a sentir-se mal. Muito ofegante e fraco, ele foi atendido tão logo o avião pousou na capital mineira - uma ambulância aguardava na pista a chegada da aeronave.

Em julho, Genoino passou por uma cirurgia cardíaca em São Paulo, ficando internado até o dia 20 de agosto. O coordenador do setorial jurídico do PT-SP, Marco Aurélio de Carvalho, um dos advogados que assistem Genoino, criticou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF, Joaquim Barbosa), pela decisão de obrigar o petista a ir para Brasília. “O Estado brasileiro e Joaquim Barbosa assumiram um risco desnecessário, já que o regime dele (Genoino) é semiaberto e para ser cumprido em São Paulo, local de seu domicílio”, declarou.

O ex-presidente do PT cumpre pena em regime semiaberto pelo crime de corrupção ativa, pelo qual foi punido com 4 anos e 8 meses de prisão. Ele ainda tem chances de se livrar da punição por formação de quadrilha em julgamento previsto para ocorrer ano que vem no Supremo.

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