Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

‘Se está sendo criticado, sinal que é a decisão adequada’, diz Bolsonaro sobre filho embaixada

Presidente ignora ataques até de aliados ao projeto de pôr filho em Washington, nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 11h25
Atualizado 15 de julho de 2019 | 21h36

BRASÍLIA e RIO – Apesar das críticas, até mesmo de aliados, o presidente Jair Bolsonaro reiterou nesta segunda-feira, 15, sua intenção de indicar o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao cargo de embaixador do Brasil em Washington. Em discurso numa sessão solene na Câmara dos Deputados, o presidente ironizou os ataques.

“Por vezes temos tomado decisões que não agradam a todos, como a possibilidade de indicar para a Embaixada nos Estados Unidos um filho meu, tão criticado pela mídia. Se está sendo criticado, é sinal de que é a pessoa adequada”, afirmou. 

As críticas, contudo, partem até mesmo de aliados da ala ideológico do governo, como o escritor e guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, e de militares. O general Paulo Chagas, candidato derrotado do PSL ao governo do Distrito Federal e próximo a ministros, publicou ontem em sua rede social nota em que afirma discordar da indicação.

“Considero uma temeridade a consecução da intenção do presidente Bolsonaro de nomear o jovem deputado Eduardo Bolsonaro para o mais complexo posto da diplomacia brasileira, fora do Brasil”, disse Chagas.

O principal argumento dos que criticam a indicação é a falta de experiência de Eduardo para a função, considerada a mais importante missão diplomática do País no exterior e tradicionalmente ocupada por diplomatas de carreira. Também há dúvidas jurídicas se a nomeação poderia se caracterizar como nepotismo, embora, como mostrou o Estado, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido de não proibir a indicação de parentes para cargos políticos.

A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), afirmou que Eduardo Bolsonaro pode ter a indicação derrubada na Casa. Antes de ser nomeado, Eduardo precisará passar por uma sabatina e uma votação dos senadores. “Acho que ele corre sérios riscos de mandar (a indicação de Eduardo para ser o embaixador brasileiro nos EUA) para o Senado e ser derrotado. A votação é secreta. Não tem precedentes no mundo, em países democráticos”, disse a senadora. 

Conforme mostrou o Estado no sábado, dos 17 integrantes da comissão, responsável por analisar o nome do indicado, seis afirmaram ser contrários, sete se disseram favoráveis, três não quiseram comentar e um não se manifestou.

Eventual designação é legalmente viável, diz porta-voz

Em nota lida nesta segunda-feira, 15, pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, o presidente negou qualquer irregularidade na nomeação e enumerou as qualificações do filho para ser o representante brasileiro em Washington. “A eventual designação do deputado Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil nos Estados Unidos é legalmente viável; ele detém a total confiança do presidente Bolsonaro e o acesso facilitado ao mandatário daquela nação amiga”, disse Bolsonaro na nota.

A indicação também foi defendida pelo vice, Hamilton Mourão, que disse não ver “nenhum problema”. “Ele (Eduardo) está dentro daqueles requisitos que a nossa legislação coloca para aqueles que não são da carreira diplomática”, disse Mourão, em entrevista a correspondentes internacionais na Confederação Nacional do Comércio (CNC), no Rio. “Eu sempre digo uma coisa: decisão a gente não discute, a gente cumpre.” /CAMILA TURTELLI, TEO CURY, RENATO ONOFRE, AMANDA PUPO, DENISE LUNA e MARCIO DOLZAN

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