André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

'Se Dilma vetar, vai dar mais problema', diz Romero Jucá sobre doações ocultas

Relator da reforma política no Senado, peemedebista

Entrevista com

Romero Jucá (PMDB-RR)

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2015 | 10h52

Relator da reforma política no Senado, o peemedebista Romero Jucá (RR) afirma que o dispositivo que torna oficiais as doações ocultas de campanha foi criado para um modelo sem contribuições de empresas e que tivesse apenas uso de recursos repassados por pessoas físicas, além da verba do Fundo Partidário. Para Jucá, porém, "vai dar mais problema" se a presidente Dilma Rousseff vetar esse dispositivo no texto aprovado pelo Congresso. Leia abaixo entrevista com o senador.

Por quê o Senado introduziu um dispositivo no texto sobre a reforma política que torna oculta as doações empresariais a políticos?

A regra que eu tinha feito era para pessoa física. Não faz sentido uma pessoa física doar para um partido e depois o nome dela acompanhar uma doação que vai para um candidato que ela não conhece. Vemos supor. Você doa para o PMDB nacional, que doa para o estadual. Aí o partido local doa para o sargento Sebastião do Morro do Alemão. Você não conhece ele. Por que seu nome vai estar ligado ao sargento? Amanhã ele aparece metido em milícia e o nome de quem doou para o partido nacional aparece envolvido junto. Essa era a lógica.

Esse raciocínio vale também para as empresas?

A Câmara tirou a proibição (de doação de empresa). Agora precisa discutir isso. Eu acho que, de todo jeito, o raciocínio é o mesmo. Não pode responsabilizar a empresa se ela não sabe onde o dinheiro vai chegar. Uma empresa doa para um partido e não sabe para quem a legenda vai mandar em seguida. Ela não pode se responsabilizar se não sabe para quem o partido vai mandar a doação.

O sr. não teme que, com esse modelo, as empresas poderão disfarçar a doação para parlamentares que atuam em defesa dos seus interesses?

Não acho que existe risco de haver doação direcionada, mas penso que era melhor não ter empresa doando. Sou contra a doação de empresa, mas fui derrotado na Câmara.

O sr. defende que a presidente Dilma Rousseff vete o dispositivo?

Não defendo que a presidente Dilma vete (a ocultação).  Se ela vetar, vai dar mais problema.

A responsabilidade pelo dispositivo então é do Senado...

O Senado tem responsabilidade nisso, bem como a Câmara tem responsabilidade na doação de empresa, que é pior.

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